Vespa e flor de milhões de anos são preservadas juntas em âmbar

Vespa e flor de milhões de anos são preservadas juntas em âmbar

31 de julho de 2022 0 Por ucrhyan
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Um estudo publicado em junho deste ano revelou a descoberta de uma flor extremamente rara que floresceu há cerca de 30 milhões de anos. Conservada até hoje em âmbar, a planta não estava sozinha: junto dela também foi encontrada uma vespa. Dentro de uma das “cápsulas” de sementes dessa flor havia uma larva de mosca em desenvolvimento.

George Poinar Jr, pesquisador do Departamento de Biologia Integrativa da Faculdade de Ciências da Universidade Oregon, nos Estados Unidos, foi o responsável pela descoberta. A pesquisa divulgada na revista Historical Biology relata a primeira descrição de uma flor fóssil da família Euphorbiaceae em âmbar e revela que, além de inédito, o achado oferece pistas sobre relação desses seres no antigo ecossistema que habitavam.

flor fóssil, até então desconhecida, mede apenas 2,4 milímetros de comprimento, possui um caule longo, não tem pétalas e foi nomeada como Plukenetia minima – uma referência ao seu tamanho diminuto. Ela pertence à família de plantas com flores Euphorbiaceae, que inclui plantas tropicais como as poinsétias e a seringueira.

Na ponta do caule há quatro “cápsulas” de semente, uma das quais continha a larva de mosca com um corpo liso e um par de pequenas antenas. Com base no tamanho e na forma do corpo, parece ser uma larva de um mosquito galhador, um tipo de pequena mosca da ordem Diptera que ataca plantas com flores de todos os tipos, de acordo com o estudo.

“As flores fósseis de membros desta família são bastante raras”, disse Poinar, em comunicado “Eu só consegui encontrar um fóssil conhecido anteriormente, em depósitos sedimentares no Tennessee.”

A vespa, apelidada por Poinar como Hambletonia dominicana – referência à República Dominicana, onde o âmbar foi descoberto – foi descrita como uma nova espécie em um artigo separado publicado em 2020 na revista Biosis: Biological Systems. O inseto pertence a um grupo conhecido por predar outros insetos.

“Eu não conseguia entender como esses dois espécimes tão diferentes poderiam ter terminado juntos”, disse Poinar ao site Live Science. “Senti que a única maneira de compreender era identificar os dois organismos e procurar características biológicas que pudessem explicar o encontro.”

Encontro inesperado

Segundo o cientista, a forma como a flor e a vespa foram fossilizadas indica que, ou a vespa se aproximou da flor para se alimentar do pólen, ou havia se aproximado para botar ovos dentro das cápsulas da flor. Assim que os ovos eclodissem a larva clandestina serviria de futura refeição para os filhotes da vespa.

Mas, em vez disso, a resina fluida garantiu que a larva, a vespa e a flor tivessem o mesmo destino pegajoso e fossem preservadas juntas por dezenas de milhões de anos.

A análise revela que corpos delicados como o de pequenos insetos e as estruturas de pequenas plantas e flores raramente se fossilizam, e a maioria se perde no tempo. Nesse caso, os habitantes do âmbar são exemplos raros de fósseis que retiveram detalhes estruturais substanciais de quando estavam vivos, proporcionando um vislumbre único de seu “microhabitat” tropical do passado distante.

“O grau de preservação é muito mais completo no âmbar do que em outros fósseis. A conservação nesta resina simplifica a descrição dos personagens. É como se eles tivessem acabado de entrar no âmbar”, finaliza o pesquisador.