Um sexto oceano pode estar escondido nas entranhas da Terra

Um sexto oceano pode estar escondido nas entranhas da Terra

25 de outubro de 2022 0 Por Jonas Estefanski
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Aprendemos que a estrutura do nosso planeta se reduz ao núcleo, ao manto e à crosta, mas a complexidade toma conta de cada camada da Terra e há muitos segredos que ainda não entendemos.

Anteriormente, já havia suspeitas de que a água pudesse existir nas profundezas da astenosfera (uma zona superior do manto terrestre menos rígida que se encontra abaixo da litosfera, entre aproximadamente 80 e 200 km abaixo da superfície), embora se pensasse que não apresentasse em um estado líquido. No entanto, pesquisas recentes acabam de descobrir a possibilidade de um sexto oceano nas profundezas da Terra, tão vasto que seria uma das maiores fontes de água do planeta.

O ciclo da água é um dos mais conhecidos que se ensina nas escolas como parte essencial do planeta, mas, contraditoriamente, pouco se sabe sobre ele nas regiões que vão além da crosta terrestre. O poço de água mais profundo tem aproximadamente 12 quilômetros de profundidade, o que não é suficiente para investigar se há um ciclo da água abaixo desse limite.

É por isso que os pesquisadores têm investido grandes esforços para aprender mais sobre isso e, surpreendentemente, uma investigação mostrou que é possível que não haja apenas um ciclo da água no manto da Terra, mas sim um oceano inteiro.

Existem várias investigações a este respeito. Há mesmo algumas que afirmam que antes de ter massas continentais, o nosso planeta era completamente coberto por água. Mas então a crosta absorveu parte dela, moldando a configuração que conhecemos hoje. Embora essa hipótese implicasse que tal quantidade de água tivesse que ter ido parar em algum lugar, eles acreditam que escapou para as camadas internas da Terra.

Buscando evidências que trariam mais dados a esse respeito, uma equipe de pesquisadores da Universidade Goethe assumiu a tarefa de analisar um diamante extremamente raro que se formou a uma profundidade de 660 metros na Botsuana, África.

O diamante foi obtido em uma região onde a ringwoodita é o mineral predominante e, por espectrometria FTIR, concluiu-se que possui um “alto teor de água”. Também foi determinado que a composição química da pedra é “quase exatamente a mesma de praticamente todos os fragmentos de rocha do manto encontrados em basaltos em qualquer lugar do mundo”.

Esses dados indicam que o ciclo da água também inclui partes muito profundas do planeta. A chave de tudo está na região de origem do diamante, a transição entre a parte inferior da crosta terrestre e o manto superior, que fica entre cerca de 410 e 660 quilômetros da superfície.

Aqui a maior parte da composição é dada por minerais como a olivina, peridoto, wadsleyite e ringwoodite, que se caracterizam pela sua grande capacidade de armazenamento de água. Os pesquisadores estimaram que a rocha da zona de transição “poderia teoricamente absorver seis vezes a quantidade de água em nossos oceanos”. Portanto, falou-se da existência de um sexto oceano que se encontra nas profundezas da Terra, assim como Júlio Verne disse em sua ‘Viagem ao Centro da Terra’.

O estudo foi publicado na revista Nature.