Polvos são inteligentes porque compartilham genes com humanos; entenda

Polvos são inteligentes porque compartilham genes com humanos; entenda

13 de julho de 2022 0 Por ucrhyan
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A ciência enxerga os polvos como animais muito inteligentes, e um estudo publicado na BMC Biology ajudou a explicar o porquê: seus genes têm uma característica também presente nos seres humanos. Trata-se de transposons, sequências curtas de DNA ligadas à evolução de genomas. Tal como os humanos, as espécies Octopus vulgaris e Octopus bimaculoides possuem essas sequências.

Segundo o estudo, a maioria dos transposons fica desligada — tanto nos humanos quanto nos polvos — devido a mutações. No entanto, um tipo específico, conhecido como Long Interspersed Nuclear Elements (LINE) ainda pode estar ativo, ajudando no aprendizado e na formação da memória no hipocampo.

No artigo, os cientistas identificaram LINE no lobo vertical dos polvos. Trata-se de uma seção do cérebro essencial para a aprendizagem, equivalente ao hipocampo humano. Com isso, os pesquisadores mediram a transcrição de um transposon de polvo para RNA e a tradução para proteína, e detectaram atividade significativa em áreas do cérebro relacionadas a resposta a diferentes estímulos.

Embora os polvos não estejam intimamente relacionados a animais vertebrados, o estudo demonstra um comportamento neural semelhante. “Esses animais, como os mamíferos, têm a capacidade de se adaptar continuamente e resolver problemas”, sugerem os pesquisadores.

Polvos são inteligentes porque compartilham genes com humanos (Imagem: frender/envato)

Segundo o artigo, os transposons LINE exercem uma importante função no processamento cognitivo, e como são compartilhados por humanos e polvos, eles podem ser bons candidatos para pesquisas futuras sobre inteligência e como ela se desenvolve e varia entre os indivíduos de uma espécie.

No entanto, como os polvos estão muito distantes dos humanos, é possível que os transposons LINE ativos tenham evoluído separadamente em duas linhagens, em vez de se originar em um ancestral compartilhado. De qualquer forma, vale continuar os estudos na área para decifrar melhor esse enigma.

Fonte: BMC Biology