Plutão mais próximo que Netuno – ele pode colidir com o gigante de gás azul?!

Plutão mais próximo que Netuno – ele pode colidir com o gigante de gás azul?!

5 de maio de 2022 0 Por Jonas Estefanski
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Se as órbitas de Plutão e Netuno se cruzam, eles podem colidir?
Netuno e Plutão Podem colidir? A órbita caótica de Plutão faz com que ele se aproxime da órbita de Netuno regularmente… e de tempos em tempos Plutão passa 20 anos mais perto do Sol do que Netuno. Mas como isso é possível? Plutão não era o último planeta do Sistema Solar até pouco tempo atrás?

Agora o enigma dessa órbita caótica começou a ser desvendado… 
Desde 1930, quando Plutão foi descoberto, as pessoas aprenderam a ordem dos planetas da seguinte forma: Mercúrio, Vênus, Terra, Marte, Júpiter, Saturno, Urano, Netuno e Plutão. 
Plutão era considerado o último planeta do Sistema Solar até pouco tempo atrás, mas depois acabou rebaixado a categoria de Planeta Anão. Mas o que você diria se soubesse que, de tempos em tempos, Plutão ultrapassa Netuno, ficando mais perto do Sol do que o gigante azul?

Talvez você nunca tenha ouvido falar nisso, mas sim: a cada período de 248 anos, Plutão passa cerca de 20 anos mais perto do Sol do que Netuno. Logo, uma primeira e óbvia pergunta vem à cabeça: como eles não colidem? E será que de fato existe alguma chance de colisão?

Plutão e Netuno podem colidir?

Ilustração artística de uma colisão entre Netuno e Plutão.Créditos: Richard Cardial
órbita de Plutão é realmente caótica. |Muitos estudos já revelaram alguns de seus segredos, mas de fato até hoje sua órbita bizarra ainda não foi completamente compreendida.
Mas agora uma nova pesquisa conduzida pela Dra. Renu Malhotra e por Takashi Ito, pode nos dar mais resposta do que jamais tivemos, e acabar com boa parte dos enigmas.

Netuno e Plutão não colidem graças a um fenômeno conhecido como ressonância de movimento médio, que faz com que Plutão tenha sua longitude a quase 90 graus de distância de seu vizinho gigante. Além disso, os pesquisadores também descobriram algo que chamaram de oscilação vZLK, que coloca Plutão em um local bem acima do plano da órbita de Netuno durante o periélio (que é o ponto quando ele fica mais próximo do Sol). 
Mas mesmo isso tudo ainda não explica completamente a bizarra órbita do planeta anão, que ainda sofre pequenos desvios em escalas de tempo curtas que atrapalham as previsões dos cientistas.

Por isso a Dra. Malhotra e do Dr. Takashi Ito tentaram resolver essa terceira e misteriosa propriedade fazendo simulações da órbita de Plutão até um máximo de 5 bilhões de anos no futuro do Sistema Solar. A ideia era entender como os gigantes de gás (Júpiter, Saturno e Urano) influenciam a órbita do pequenino Plutão. Isso ajudou a entender as interações orbitais de todos os objetos do Sistema Solar, que de uma forma ou de outra, acabam influenciando as órbitas uns dos outros. 
Na maior parte dos casos, essa influência é mínima, quase irrelevante, e acaba nem sendo considerada nos cálculos. Mas, no caso do pequeno planeta anão Plutão, o campo gravitacional dos três gigantes parece ter papel fundamental.

Órbita de Plutão se cruza com órbita de Netuno

Órbita de Plutão se cruza com órbita de Netuno.Créditos: divulgação
Na simulação, os especialistas ajustaram cerca de 21 parâmetros diferentes, distribuindo a massa de cada planeta ao longo da trajetória que eles definiram em suas órbitas ao redor do Sol.
A Dra. Malhotraa explicou que um arranjo correto das massas e órbitas dos planetas gigantes possibilita a oscilação vZLK de Plutão em “uma espécie de ‘zona de Cachinhos Dourados'”, que ajuda a explicar como o pequeno planeta anão reage a oscilação vZLK.
Segundo o estudo, é provável que essa inclinação de Plutão tenha se originado durante o período de migração planetária – uma distante época quando os planetas gigantes do Sistema Solar se deslocaram para uma órbita mais afastada do Sol, com a exceção de Júpiter, que foi ligeiramente deslocado para uma órbita mais próxima.

Além de prometer ajudar os pesquisadores em futuros estudos sobre a dinâmica do Sistema Solar, em especial dos objetos trans-netunianos (como Plutão e seus pequenos vizinhos), a nova pesquisa também colaborou para reduzir 21 parâmetros utilizados em simulações em apenas um, distribuindo a massa dos planetas em “anéis orbitais”.
E depois de tantas pesquisas, eles descobriram que não parece existir nenhuma chance de Netuno e Plutão colidirem. Pelo menos é isso o que indicam os dados que temos até o momento.
Claro que muitos segredos orbitais de Plutão permanecem sem explicação, e muitas novas pesquisas ainda devem ser feitas. 
O estudo da Dra. Malhotra e do Dr. Takashi foi publicado na Proceedings of the National Academy of Sciences.

Imagens: (capa-Richard Cardial) / divulgação