“Planeta de Star Wars” é observado com telescópio terrestre; saiba por que isso pode mudar a astronomia

“Planeta de Star Wars” é observado com telescópio terrestre; saiba por que isso pode mudar a astronomia

26 de fevereiro de 2022 0 Por Jonas Estefanski
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Se você reconhece o nome do planeta “Tattoine”, então, como muitos de nós, você também é fã da franquia multimídia “Star Wars”, de George Lucas. E talvez você até já saiba que temos uma “versão real” dele: o exoplaneta Kepler-16b, a 200 anos-luz de distância da Terra, foi observado recentemente por um telescópio de pequeno porte – algo que especialistas da astronomia consideram um marco bastante importante.

Assim como sua contraparte fictícia, o Kepler-16b está orbitando entre duas estrelas no sistema quase homônimo – “Kepler-16” – localizado na constelação Cygnus (Cisne). Originalmente, ele foi descoberto em 2011, durante a missão Kepler, por meio do chamado “método de trânsito”: ao observar uma das estrelas do sistema, a sonda a viu escurecer – um efeito direto da passagem de um planeta entre a visão da sonda e o astro monitorado.

O exoplaneta Kepler-16b é, em muitos aspectos, parecido com o fictício "Tattooine", um planeta da franquia multimídia "Star Wars"
O exoplaneta Kepler-16b é, em muitos aspectos, parecido com o fictício “Tattooine”, um planeta da franquia multimídia “Star Wars” (Imagem: NASA/JPL-Caltech/Divulgação)

Agora, no entanto, esse “planeta de Star Wars” foi novamente observado, desta vez por um modesto telescópio terrestre de pouco mais de 75 polegadas (1,93 metro), localizado no Observatoire de Haute-Provence, a mais ou menos 60 quilômetros (km) de Marselha, na França.

Ao contrário do método de trânsito, essa “reobservação” do Kepler-16b se deu pelo “processo de velocidade radial”, que analisa os efeitos gravitacionais gerados por um planeta sobre sua estrela. Imagine um “tranco” de quando você puxa algo com força e você vai entender.

De acordo com Amaury Triaud, um pesquisador de exoplanetas da Universidade de Birmingham, o fato do planeta ter sido visto com um telescópio terrestre é algo de “maior eficiência e menor custo” do que uma nave ou artefato lançado ao espaço. A ideia agora é continuar a pesquisa dentro deste formato, na expectativa de encontrar exoplanetas desconhecidos de categoria “circumbinária” – nome dado pela equipe da pesquisa para exoplanetas que orbitam duas estrelas.

Isso porque o senso científico comum diz que planetas são formados em discos ao redor de uma única estrela – uma região conhecida como “disco protoplanetário”. Mas a formação planetária em sistemas binários – ou seja, onde duas estrelas atuam em conjunto – ainda nos é um mistério.

“Usando essa explicação padronizada, pode ser difícil de entender como planetas circumbinários existem”, disse Triaud. “Isso porque a presença de duas estrelas interfere com o disco protoplanetário, o que previne que a poeira cósmica de se aglomerar e, eventualmente, criar um planeta. Esse processo é conhecido como ‘acreção’”.

Uma teoria citada por Triaud indica que o planeta em questão se formou a uma distância mais longa desse sistema binário, e sua órbita irregular fez com que ele aos poucos se movesse para perto dele. Mas essa é apenas uma especulação teórica, então o estudo, com sorte, deve jogar mais luz sobre esse mistério, ampliando nosso entendimento.

Um estudo completo foi publicado no jornal científico Monthly Notices of the Royal Astronomical Society.