Pessoas levantam grande questionamento após a NASA divulgar imagem da Terra feita pela tripulação da Artemis II

Pessoas levantam grande questionamento após a NASA divulgar imagem da Terra feita pela tripulação da Artemis II

08/04/2026 0 Por cetico.kf

A missão Artemis II decolou na quarta feira, 1 de abril, levando quatro astronautas a bordo da espaçonave Orion para uma jornada de dez dias ao redor da Lua. A tripulação é formada por Reid Wiseman, Victor Glover e Christina Koch, da NASA, além de Jeremy Hansen, da Agência Espacial Canadense.

Esse grupo tem a tarefa de testar tecnologias fundamentais para a exploração lunar de longo prazo e futuras viagens tripuladas a Marte. Durante o trajeto, os astronautas registraram imagens da Terra que geraram um debate intenso entre entusiastas do espaço e o público em geral.

As primeiras fotos obtidas pela equipe enquanto seguiam em direção ao satélite natural foram divulgadas pela NASA na sexta feira, 3 de abril. Segundo a agência espacial norte americana, as imagens mostram como o nosso planeta parece deslumbrante visto do espaço.

No entanto, assim que os registros chegaram às redes sociais, muitos usuários começaram a comparar essas novas capturas com as fotografias icônicas feitas pela missão Apollo 17 em 1972, há mais de cinco décadas.

A comparação direta foca especialmente em uma nova imagem batizada de Hello, World. Ela foi planejada como uma recriação da famosa fotografia The Blue Marble, tirada pelo astronauta Harrison Schmitt em 1972. Ambas as fotos mostram o Polo Sul voltado para a parte superior do quadro, mas a diferença visual entre elas é nítida. Para muitos observadores, a versão de 1972 parece muito mais vívida, nítida e brilhante do que a versão capturada em 2026 pela tripulação da Artemis II.

As pessoas acham que o planeta parecia muito mais vívido quando a equipe da Apollo 17 subiu em 1972 (NASA)

As pessoas acham que o planeta parecia muito mais vívido quando a equipe da Apollo 17 subiu em 1972 (NASA)

O contraste entre o passado e o presente

A reação do público nas plataformas digitais foi imediata e carregada de dúvidas sobre a qualidade da tecnologia atual. Um usuário questionou: “Não sei se é a qualidade da imagem ou a atmosfera, mas parece opaca agora”.

Outro comentário comum entre os seguidores da missão foi: “Por que a de 1972 parece melhor?”. Alguns espectadores chegaram a sugerir que a diferença visual poderia ser um reflexo de mudanças climáticas ou da degradação ambiental do planeta, com um internauta afirmando: “O que estamos fazendo de tão errado? A Terra parece pálida. Estamos perdendo ela”.

A NASA comentou a divulgação das imagens destacando a evolução temporal: “Chegamos tão longe nos últimos 54 anos, mas uma coisa não mudou: nosso lar parece lindo visto do espaço! A visão à esquerda é da tripulação da Apollo 17 em 1972 e a direita foi capturada ontem pela tripulação da Artemis II”. Apesar do tom otimista da agência, a percepção de que a imagem moderna é menos impressionante do que a antiga persistiu em diversos fóruns de discussão.

Os astronautas da Artemis II relataram estar fascinados com a vista através das janelas da Orion. Jeremy Hansen descreveu para o centro de controle que a tripulação tinha uma “bela vista do lado escuro da Terra, iluminado pela Lua”. O comandante Reid Wiseman mencionou que registrar essas cenas não é uma tarefa simples. Ele explicou: “É como sair no quintal da sua casa e tentar tirar uma foto da Lua. É assim que parece agora”.

A tripulação do Artemis II tirou fotos ‘espetaculares’ semelhantes da Terra (NASA)

A tripulação do Artemis II tirou fotos ‘espetaculares’ semelhantes da Terra (NASA)

Tecnologia analógica versus sensores digitais

Especialistas e entusiastas de fotografia espacial apontam que a discrepância visual entre as missões Apollo e Artemis não indica necessariamente uma piora na saúde do planeta, mas sim uma mudança radical nas ferramentas de captura. A equipe da Apollo 17 utilizou câmeras de filme de médio formato.

O filme fotográfico tem uma tendência natural de elevar o contraste e a saturação das cores, criando uma imagem que parece saltar aos olhos com cores primárias muito fortes e pretos profundos.

Atualmente, a tripulação da Artemis II utiliza equipamentos modernos, incluindo câmeras DSLR Nikon D5 e até iPhones. David Melendrez, responsável pela integração de imagens da cápsula Orion na NASA, confirmou o uso desses dispositivos portáteis.

Diferente do filme, os sensores digitais modernos são calibrados para capturar a luz de forma mais linear e realista, muitas vezes exigindo correções atmosféricas e calibrações de cor que podem resultar em uma aparência menos saturada ou menos dramática em um primeiro olhar.

Além disso, muitas imagens espaciais contemporâneas são compostas por várias camadas de dados ou capturadas em condições de iluminação específicas que o filme antigo não conseguiria registrar com precisão. A foto de 2026 mostra uma parte da Terra que estava no período noturno no momento do registro. Um observador técnico explicou na internet que “o lado da Terra fotografado em 2026 parece estar à noite. Por isso o arco de brilho no canto inferior direito”.

A iluminação e o lado escuro da Terra

Outro fator determinante para a aparência menos vibrante da foto Hello, World é o fato de ela ter sido tirada enquanto a face visível da Terra estava sendo iluminada principalmente pelo brilho da Lua, e não diretamente pelo Sol como ocorria na foto The Blue Marble. Isso exigiu que a imagem digital fosse processada para aumentar o brilho, o que pode reduzir o contraste e dar uma sensação de imagem lavada.

Um entusiasta explicou detalhadamente em uma rede social: “É uma foto do lado escuro iluminado pela Lua. Ela foi clareada. É por isso que você pode ver a aurora nela também”. Outro ponto levantado é que a Terra não mudou radicalmente sua cor fundamental em cinco décadas a ponto de ser perceptível dessa forma em uma foto orbital de longa distância; o que mudou foi a forma como os fótons de luz são processados pelos equipamentos humanos.

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A tripulação continua a sua jornada visando capturar a melhor visão do lado oculto da Lua já registrada por câmeras tripuladas. Enquanto isso, as fotos da Terra continuam sendo o principal ponto de interesse do público.

David Melendrez comentou sobre o impacto desses registros: “Quando você vê todos os conflitos e as coisas que estão acontecendo no mundo hoje, acho que é realmente importante nos vermos como um todo. Você olha para aquela foto e não há fronteiras, somos apenas todos nós. Acho que essa é uma das maiores coisas que podemos tirar disso, é lembrar a todo mundo, todo mundo, que este é o nosso lar. E todos nós temos que compartilhá lo”.

Detalhes técnicos da missão Artemis II

A missão Artemis II é a primeira etapa tripulada do programa que visa levar humanos de volta à superfície lunar. A cápsula Orion percorre uma trajetória de retorno livre, o que significa que ela usa a gravidade da Lua para dar a volta no satélite e retornar à Terra sem a necessidade de grandes manobras de propulsão. Durante esse percurso, os astronautas permanecem atentos aos sistemas de suporte à vida e à funcionalidade dos equipamentos de comunicação.

O uso de dispositivos comerciais, como os smartphones, serve para testar como os eletrônicos de consumo se comportam em ambientes de radiação fora da proteção da magnetosfera terrestre. Embora as câmeras Nikon D5 sejam o padrão profissional para os registros oficiais, a agilidade dos iPhones permite que a tripulação envie atualizações rápidas e registros informais da vida a bordo, aproximando o público da rotina no espaço.

A comparação entre as fotos de 1972 e 2026 também levanta discussões sobre a nostalgia da exploração espacial. A estética das missões Apollo está profundamente enraizada no imaginário coletivo como o padrão de como o espaço deve parecer. As novas imagens, ao apresentarem uma realidade digital mais crua e tecnicamente ajustada para fins científicos, desafiam essa expectativa visual estabelecida há meio século.

As fotos da missão atual mostram fenômenos que não eram visíveis nos registros da década de 70, como luzes de cidades e auroras polares de forma mais detalhada, devido à sensibilidade dos sensores modernos à baixa luminosidade. Isso demonstra que, embora o aspecto estético possa parecer menos vívido para alguns, a quantidade de dados e informações visuais contidas nas fotos digitais é superior ao que era possível registrar com as emulsões químicas do passado.

O debate sobre a nitidez e o brilho da Terra permanece como um tópico popular enquanto a Artemis II completa sua trajetória. A Orion segue seu cronograma de testes rigorosos, garantindo que todos os sistemas operem conforme o esperado para as futuras missões de pouso no Polo Sul lunar. Os astronautas seguem colados às janelas, registrando cada fase da jornada que marca o retorno da humanidade às proximidades da Lua.