PESQUISADORES CRIAM “ROBÔS LÍQUIDOS” QUE FUNCIONAM DE FORMA AUTÔNOMA E SEM ELETRICIDADE

PESQUISADORES CRIAM “ROBÔS LÍQUIDOS” QUE FUNCIONAM DE FORMA AUTÔNOMA E SEM ELETRICIDADE

27 de janeiro de 2022 0 Por Jonas Estefanski
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Os liquibots têm potencial para realizarem diferentes funções, como a administração de medicamentos em pacientes ou o manuseio de produtos químicos perigosos


Uma equipe de pesquisadores dos Estados Unidos anunciou a criação de robôs líquidos, ou “liquibots”. Esses dispositivos minúsculos são capazes de funcionar de forma autônoma e contínua, sem a necessidade de eletricidade. O estudo, assinado por especialistas do Laboratório Nacional Lawrence Berkeley, do Departamento de Energia e da Universidade de Massachusetts Amherst, foi publicado na revista científica Nature Chemistry.


Robôs dispensam eletricidade
O projeto foi desenvolvido para contornar um problema básico: para que robôs possam trabalhar, eles precisam de energia. Por muitos anos, cientistas procuraram criar dispositivos que dispensassem fontes energéticas tradicionais, como a rede elétrica ou baterias. Foi exatamente isso que os pesquisadores conseguiram fazer com a criação dos liquibots.
Robôs líquidos - Liquibots
É isso mesmo: de acordo com seus criadores, os liquibots não precisam de eletricidade para funcionar. Ao invés disso, eles são “alimentados” com sais presentes na solução líquida em seu entorno. Como pequenos submarinos, esses minúsculos robôs se locomovem e mergulham na água para executar determinadas tarefas. Uma vez submersos, eles são capazes de coletar produtos químicos que os abastecem e voltar à superfície.
Por serem mais densos que a água, os liquibots (que parecem pequenas bolsas abertas e têm apenas 2 milímetros de diâmetro) se aglomeram e submergem, se enchendo de produtos presentes no fundo da solução. A reação química resultante gera bolhas de oxigênio, que, como pequenos balões, traze os robôs de volta à tona. Outra reação puxa os liquibots para a borda de um recipiente, onde eles “atracam” e despejam sua carga. Assim, os robôs vão e voltam, como o pêndulo de um relógio, e podem funcionar continuamente enquanto houver “alimento” no sistema.






“Quebramos uma barreira ao projetar um sistema robótico líquido que pode operar de forma autônoma usando química para controlar a flutuabilidade de um objeto”, disse Tom Russell, professor de ciência e engenharia de polímeros da Universidade de Massachusetts Amherst. Segundos os pesquisadores, os liquibots têm potencial para realizarem diferentes funções, como a administração de medicamentos em pacientes por meio da corrente sanguínea ou ainda o manuseio de produtos químicos perigosos.

Fontes Laboratório Nacional Lawrence BerkeleyImagens iStock e Laboratório Nacional Lawrence Berkeley/Divulgação