O Sol vai destruir a Terra antes do que imaginamos

O Sol vai destruir a Terra antes do que imaginamos

14 de novembro de 2022 0 Por Jonas Estefanski
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A história do nosso planeta foi marcada por eventos que poderiam facilmente acabar com a vida por aqui e, em alguns casos, temos extinções em massa que varreram 90% das espécies. Porém, há muito tempo sabemos que o grande final da Terra será o dia em que o planeta vai ser engolido pela estrela em seu estágio de gigante vermelha. Esse dia ainda vai demorar muito e estamos falando de algo na ordem de 5 bilhões de anos, mas o que muitos não sabem é que a Terra começará a ser vaporizada bem antes.

Geralmente, um planeta pode ganhar boa parte de sua massa em alguns milhões de anos, mas os eventos que o seguem pelos bilhões de anos à frente é o que vai tornar cada mundo único nessa jornada. Felizmente, o Sol não terá um fim tão violento quanto uma explosão de supernova, mas o fim do sistema solar vai ser gradual e certamente muitos planetas vão sobreviver ao momento final da nossa estrela. Para entender melhor esses estágios, é importante ter em mente que o Sol é uma estrela média e, para uma estrela chegar a possivelmente explodir em supernova, o astro tem que ter uma massa bem superior à da nossa estrela. Afinal, pense só o seguinte: uma estrela só é estável do jeito que é porque existe um equilíbrio igual entre duas forças.

Primeiro, a força da gravidade que está colapsando toda massa da estrela em direção ao núcleo e a força de pressão que a fusão nuclear causa na direção contrária. Sendo assim, enquanto a gravidade quer colapsar a estrela, a pressão da fusão de hidrogênio em hélio quer inflar a estrela e temos então um equilíbrio hidrostático. A estrela passa 90% da sua vida nesse estágio, mas quando o hidrogênio acaba, as coisas começam a ficar complicadas para a estrela. Fundir os átomos de hélio não vai ser tão fácil quanto fundir hidrogênio, tampouco o carbono que virá depois que a estrela conseguir fundir o hélio. Quanto mais pesado e complexo fica um elemento, mais pressão e temperatura é necessário para que a fusão continue a ocorrer no núcleo. Sabendo disso tudo, quando o hidrogênio da estrela começa a acabar, a fusão passa a reduzir e a gravidade começa a ganhar o cabo de guerra, fazendo a estrela implodir, mas esse processo aumenta a temperatura no interior da estrela, o que fará o hélio começar a fundir descontroladamente e a estrela vai inflar, crescendo suas camadas externas centenas de vezes o seu diâmetro original.

Créditos: Reprodução

Nesse processo, que deve ocorrer nos próximos 5 bilhões de anos com o Sol, a estrela vai crescer bastante e deve engolir todos os planetas rochosos, mas talvez, só talvez, apenas Marte possa sobreviver desse evento catastrófico. Na fase de gigante vermelha, ao contrário do que muitos pensam, o Sol tende a ficar mais frio e sua temperatura superficial cai dos 5700 graus atuais para cerca de 3000 graus. Por outro lado, isso acaba não sendo um ponto extremamente positivo porque o Sol estará inchando e se aproximando da Terra, tornando a vida por aqui cada vez mais complicada. Hoje em dia, a zona habitável do Sol fica exatamente entre as órbitas de Vênus e Marte, com a Terra localizada no meio termo entre essas duas. Com a mudança de natureza do Sol, então essa zona também mudará, o que pode ser catastrófico para o nosso planeta bem antes do evento final onde a estrela engolirá o nosso planetinha azul.

Antes do planeta Terra desaparecer completamente, o Sol vai ganhando cerca de 10% de luminosidade para cada bilhão de anos que consome hidrogênio. Isso porque acontece um outro fenômeno interessante quando a fusão nuclear vai cessando, pois a gravidade vai vencendo a força de pressão nuclear e as camadas superiores, que ainda restam com um pouco de hidrogênio, ganham um fôlego para se fundir mais rapidamente. Esse é um processo gradual e lento e, para você ter uma noção, o jovem Sol tinha apenas 70% da luminosidade que possui hoje, logo, a estrela era de fato menos brilhante quando surgiu do que é atualmente. Então, o ciclo solar seguirá da seguinte forma: nos próximos 100 milhões de anos o Sol terá aumentando 1% do brilho, já causando transtornos climáticos por aqui, mas em 1 bilhão de anos terá aumentado 10%, o que deixará a Terra com temperaturas superficiais de 100 graus positivos. Isso já é suficiente para evaporar completamente os oceanos, criando uma atmosfera úmida e com efeito estufa exagerado.

Nesse momento, qualquer vida complexa por aqui não sobreviverá para contar história. A perda da vida aqui na Terra só será o começo, pois antes da colisão, o Sol ainda seguirá crescendo, se aproximando e fritando cada vez mais o nosso planeta. Em três bilhões de anos, faltando só mais dois para sermos engolidos de vez, já não existe nenhuma forma de vida por aqui, a Terra deve já ter perdido toda sua atmosfera devido aos violentos ventos solares e virou uma rocha inerte como Mercúrio é hoje. A temperatura do superficial seguirá com algumas centenas de graus, a força gravitacional do Sol começará a esticar a Terra pelas forças de maré e, quando estivermos faltando cerca de 1 milhão de quilômetros para colidir com a estrela, atingimos o Limite de Roche do Sol e o planeta será despedaçado, virando uma enorme nuvem de detritos orbitando a estrela.

Chegando aos 5 bilhões de anos, a Via Láctea já deve ter iniciado a colisão com Andrômeda e o Sol finalmente engole todo o material que um dia foi um planeta cheio de vida e tão acolhedor. O planeta em si acabou bem antes dos 5 bilhões de anos, mas a partir daí o Sol apaga qualquer vestígio da Terra. O destino do Sol e da Terra pode ser triste, mas esse é o ciclo de vida de boa parte das estrelas semelhantes a nossa. A verdade é que nada dura para sempre, inclusive o próprio universo deve acabar algum dia de alguma forma.