NASA propõe uma estratégia para anunciar as futuras evidências de vida extraterrestre

NASA propõe uma estratégia para anunciar as futuras evidências de vida extraterrestre

12 de janeiro de 2022 0 Por Jonas Estefanski
Compartilhar:

Para alguns cientistas, a descoberta de vida extraterrestre não é apenas uma possibilidade, mas uma realidade que teremos que encarar, mais cedo, ou mais tarde. Apesar de estarmos décadas procurando, nenhum sinal da existência de alienígenas, sejam eles inteligentes ou não, foi encontrado até agora. Contudo, será que nós estamos preparados para dar essa notícia? Para os astrônomos, antes mesmo de encontrarmos os primeiros traços de evidência de vida extraterrestre devemos nos preocupar em preparar a sociedade.

Em um relatório publicado recentemente por um time de cientistas e coordenado por James Green, atual chefe da NASA, são explicados os motivos pelos quais nós devemos nos preocupar em elaborar uma estratégia de anúncio para as evidências de vida extraterrestre (GREEN, 2021).

Para Green, essa é uma notícia que provavelmente será dada em nossa geração. Contudo, esse privilégio nos cobrará também algumas responsabilidades. De acordo com os pesquisadores que trabalharam no relatório com Green, a identificação dessas evidências não será algo categórico, do tipo “sim ou não”, mas um processo científico que precisará de tempo para evoluir. Isso significa que o anúncio ao público não será “de uma confirmação indubitável e extraordinária da existência de vida”, mas, provavelmente, “de uma simples detecção de bioassinatura”. Por isso, segundo Green, para se evitar teorizações infundadas, quanto antes as evidências forem compreendidas, melhor para a “saúde da sociedade”.

A história nos mostra que todas às vezes que tentamos tratar os casos de detecção de vida alienígena de forma binária e precipitada, acabamos gerando expectativas na sociedade, que suscitaram especulações, que não são bem-vindas. Talvez, precisemos reformular o processo de busca por vida extraterrestres, estabelecendo-o como um esforço progressivo e não como uma “caça ao tesouro”. Assim, a NASA está propondo, em seu relatório, que devemos passar a evoluir gradualmente a nossa compreensão sobre as observações de evidências de existência alienígena, tratando-as como elementos contextuais e sugestivos, e, de forma alguma, como comprovações definitivas.

Os pesquisadores afirmam que, como esse tipo de avaliação qualitativa e multicamadas é muito complexa, precisaríamos de uma espécie de escala para medir e mapear novas descobertas, similar a escala Technology Readiness Level (TRL) utilizada pela própria NASA para rastrear o progresso de desenvolvimento de instrumentos de voo, desde o seu conceito até sua implementação em missões reais.

Similar ao TRL, a NASA está propondo a criação de uma escala qualitativa de avaliação das futuras detecções astrobiológicas, que ela está chamando de Confidence of Life Detections (CoLD), em que os níveis mais baixo da escala indicariam as identificações iniciais de bioassinaturas em potencial, e os níveis mais altos estariam reservados para evidências mais específicas e assertivas sobre a detecção.

Com essa escala graduada, onde as detecções de vida em potencial seriam progressivamente submetidas a uma série de análises, seria possível colocar todas as bioassinaturas em um contexto padronizado, ajudando os pesquisadores (e toda comunidade) a interpretar quaisquer novas descobertas.

Para os pesquisadores, estabelecer as melhores práticas de comunicação sobre a detecção de vida alienígena nos ajudará a gerenciar corretamente as expectativas da comunidade em todos os estágios de um empreendimento desafiador. Assim, daremos mais valor a cada etapa incremental do processo, dando transparência e ganhando credibilidade pública.

Seja qual for a estratégia que utilizaremos para anunciar os achados de vida extraterrestre, o importante é que ela seja feita e bem elaborada, de modo a garantir a eficácia na comunicação dos resultados do trabalho realizado. Devemos começar a ensinar para a sociedade que, na ciência, nem sempre alcançamos os resultados e conclusões que esperávamos. Contudo, aceitar “falsos começos” e “becos sem saída” são comuns a um processo científico saudável, afirma a NASA.https://youtu.be/fU3PdCDIyu0

m resumo do relatório da NASA sobre prepararmos a sociedade para a detecção de vida extraterrestre.
Vídeo: Canal “Notícias Astronômicas” em Youtube.