‘Mané-mago’: conheça os gafanhotos mestres em camuflagem

‘Mané-mago’: conheça os gafanhotos mestres em camuflagem

2 de julho de 2022 0 Por ucrhyan
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São mais de 225 espécies espalhadas pelas Américas Central e do Sul; algumas são consideradas pragas.

Se no mundo da ficção o Harry Potter, o Gandalf (da trilogia Senhor dos Anéis), e o Dr Estranho, da Marvel, se destacam pelas habilidades mágicas, na vida real a natureza é casa para outro mago: o gafanhoto mané-mago, que mais parece um personagem que saiu da animação ‘Vida de Inseto’, da Disney.

Para o inseto a ‘magia’ fica por conta da habilidade de se camuflar, já que possui o corpo bem alongado, geralmente em tons castanho-escuro ou verde-oliva, que lembra muito um graveto. O formato também inspira outros nomes populares, como mané-magro e bicho-pau.

Mas vale lembrar que esses animais não são bichos-pau (Phasmatodea), como muita gente pensa, e sim gafonhotos da família Proscopiidae. “Eles são endêmicos das Américas Central e do Sul, só ocorrem nessa região. Inclusive são encontrados em todos os biomas dessas áreas, desde a Amazônia até a Mata Atlântica, no Cerrado, na Caatinga, no Pampa, nos Andes até o extremo sul da Argentina”, explica o entomólogo (especialista em insetos), Phillip Engelking.

“Muitos magos”

Na verdade ‘mané-mago’ é o nome dado a mais de 225 de espécies, de cerca de 32 gêneros. Fósseis comprovam que no passado existiram espécies com asas (extintas), já que atualmente esses gafanhotos não voam. “Ou não têm asas ou possuem ‘asas vestigiais’, que são vestígios da estrutura que antes permitiam voo”, detalha o especialista.

Os manés-magos são conhecidos ainda como marias-moles, gafanhotos-de-marmeleiro, chicos-magros, gafanhotos-de-jurema, cavalos-de-judeu e taquarinhas.

As fêmeas são sempre maiores que os machos e em algumas espécies podem atingir os 15 centímetros. Elas botam os ovos no solo, onde ficam enterrados

— Phillip Engelking, biólogo

Os manés-magos são exclusivamente herbívoros e consomem uma grande quantidade de folhas, possuindo um aparelho bucal do tipo ‘mastigador’ bem desenvolvido. Em alguns casos são capazes de desfolhar plantações inteiras, por isso certas espécies dos gêneros Stiphra, Cephalocoema, Tetanorhynchus e Proscopia são consideradas pragas, atacando plantações principalmente no Nordeste e Centro-Oste do Brasil.

Para se defender de predadores esses gafanhotos apostam na camuflagem, mas quando não é suficiente saltam para fugir. “São completamente inofensivos, não mordem, nem picam e muito menos ferroam, nem possuem estruturas físicas para apresentarem esses comportamentos”.

Ainda segundo o biólogo, uma estrutura curiosa nesses animais que também ajuda na camuflagem é o fastígio. “É uma projeção da cabeça dos gafanhotos. Alguns têm ela super desenvolvida, já outros ficam em formato de ‘chave philips’. Essa estrutura ajuda na camuflagem, principalmente para os que vivem em ambientes campestres e savânicos, pois alonga ainda mais o corpo para parecer com uma grama seca”, finaliza.