Mais de 30 novas espécies foram encontradas no fundo do Pacífico; veja fotos

Mais de 30 novas espécies foram encontradas no fundo do Pacífico; veja fotos

3 de agosto de 2022 0 Por ucrhyan
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Psychropotes dyscrita é um tipo de pepino-do-mar encontrado no fundo do oceano (Foto: DeepCCZ expedition, Gordon & Betty Moore Foundation & NOAA)

Seres coletados com veículo subaquático operado remotamente por equipe evidenciam que a maioria da vida marinha profunda ainda pode ser desconhecida para a ciência

Durante investigação subaquática nas profundas planícies abissais da Zona Clarion-Clipperton, no Pacífico, pesquisadores encontraram mais de 30 novas espécies em potencial, incluindo estrelas-do-mar e pepinos-do-mar. Os organismos desconhecidos foram registrados no último dia 18 de julho na revista Zookeys.

Os achados são evidências de que a maioria da vida marinha profunda ainda não foi descoberta pela ciência. Entre um total de 55 exemplares recuperados — a maioria a 4,8 mil metros de profundidade — 48 ​​eram de espécies diferentes, das quais apenas nove são conhecidas atualmente. 

“Esta pesquisa é importante não apenas pelo número de espécies potencialmente novas descobertas, mas porque esses espécimes de megafauna foram estudados anteriormente apenas a partir de imagens do fundo do mar”, conta Guadalupe Bribiesca-Contreras, principal autora do estudo, em comunicado.

Pesquisadores acharam quatro exemplares de pepino-do-mar Psychronaetes e acreditam que eles são de uma nova espécie (Foto: DeepCCZ expedition, Gordon & Betty Moore Foundation & NOAA)

Os cientistas do Museu de História Natural de Londres, na Inglaterra, coletaram os seres vivos usando um veículo operado remotamente, que permitiu trazê-los à superfície. Bribiesca-Contreras relata que não esperava encontrar tantos animais na pesquisa ou acreditava que tantas criaturas viviam em grandes áreas do oceano. 

“Mas olhando mais de perto seu DNA descobrimos que são espécies diferentes, possivelmente restritas a habitats menores”, explica a pesquisadora. Segundo ela, sem os dados genéticos e os exemplares, não é possível identificar as criaturas: “Provavelmente ainda não há amostras suficientes para entender completamente a variação dentro delas”.

Peniagone vitrea é uma das espécies de águas profundas mais antigas conhecidas (Foto: DeepCCZ expedition, Gordon & Betty Moore Foundation & NOAA)

Outra dificuldade é comparar os exemplares encontrados com espécimes-tipo, indivíduos usados ​​para representar e identificar uma espécie. O problema é que as referências mais antigas do fundo do mar estão frequentemente danificadas.

“Se faltam características ao comparar dois animais semelhantes, é difícil dizer se isso é porque eles foram danificados durante a coleta ou porque são de uma espécie diferente”, conta a pesquisadora. “Muitos espécimes mais antigos também foram colocados diretamente no conservante de formalina, o que dificulta a extração de DNA.”

Estrela do mar Zoroastro não identificada pode ser nova para a ciência (Foto: Expedição DeepCCZ, Fundação Gordon & Betty Moore e NOAA)

Os cientistas responsáveis pelo estudo esperam superar algumas dessas dificuldades comparando os seres com os da megafauna coletada em uma viagem recente, juntamente com pesquisas de imagens em maior escala lideradas pelo National Oceanography Centre, no Reino Unido.

Eles também pretendem continuar construindo uma imagem do fundo do mar para a tomada de decisões importantes que afetarão o meio ambiente, visto que a Zona Clarion-Clipperton é rica em metais como cobalto, níquel, manganês e cobre. Esses materiais formam parte crucial das tecnologias de energia líquida zero, como turbinas eólicas e carros elétricos.

Enquanto defensores da mineração no fundo do mar argumentam que a atividade resultará em uma revolução verde sem impactar os ecossistemas terrestres, críticos temem que isso possa devastar os oceanos, causando danos irreparáveis. “Uma grande decisão da sociedade em relação à mineração em alto mar está no horizonte e nosso papel é fornecer o máximo de dados que pudermos para informar essa decisão da melhor maneira possível”, diz Adrian Glover, líder do grupo de pesquisa do museu.