Cético e Ateu: “Hipóteses do Gênio Maligno”

Cético e Ateu: “Hipóteses do Gênio Maligno”

6 de junho de 2018 0 Por eevaldo
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Cético e Ateu: “Hipóteses do Gênio Maligno”

Ser Cético não significa que não acredita em nada. Pois pessoas que não acreditam em nada não teriam motivos para viver. O cético diferem das pessoas que não buscam em nada os porquês do mundo, esses últimos são niilistas. O cético duvida do  que é especifico.

Os céticos fizeram mais pela filosofia do que pelo ceticismo. Rene Descartes, Pai da filosofia moderna é o autor do discurso do método.

Hipóteses do Gênio Maligno

René Descartes (1596 — 1650)

O real ceticismo, que tem importância filosoficamente é aquele que leva a duvida a seu mais alto grau, de forma a estar buscando a radicalidade, ou, Duvida hiperbólica.

Segundo o Professor Ghiraldelli, Descartes definiu o cético  como a pessoas duvida e busca estender a sua duvida, a raíz do tema. Não se duvida de tudo, não se pode duvidar de todo o conhecimento do mundo, duvidar por duvidar não se pode fazer porque se alguém tem duvidas sobre algo ela precisa conhecer, e não temos todo o conhecimento do mundo de tal forma que tenhamos a petulância de dizer que duvidamos de tudo. A pessoa que se diz cética e duvida de tudo na realidade nunca estendeu sua duvida abaixo da superficialidade de um determinado tema.

Para Descartes, não se duvida de todo o conhecimento, mas sim de um único, na qual se duvida das bases que sustentam um determinado argumento. Quando se expõem escancaradamente as falhas de um determinado tema que o tornam duvidosos é possível que naturalmente o argumento caia por terra.

Descartes acreditava que para ser cético a um determinado tema era necessário duvidar de tudo dele. Duvidar de tudo significa duvidar das formas na qual construímos o conhecimento de algo, e isso envolve o meio externo e interno. Entende-se por meio exterior o empirismo e o uso dos sentidos; e o meio interno como as próprias idéias, o inato, dado pela razão.

Duvidar dos sentidos é mais fácil, podemos todos ter idéias, opiniões, já duvidar das faculdades intelectuais, da capacidade de cogitar, da razão é mais difícil.

O intelecto é mais difícil de se por em duvida, o empirismo e os sentidos são mais fáceis, mas duvidar da razão é difícil. Matematicamente se torna difícil de duvidar que um triangulo é uma figura de três lados, ou alguém consegue provar que o raciocínio de que um triâgulo tem três retas e portanto três lados?

Esse foi o maior desafio para Descartes, ele não conseguia estender a sua dúvida, as bases do intelecto, então recorreu a hipóteses do Gênio maligno.

Ele dizia que quando se cogita, há um gênio (um ser poderoso) que faz com que tudo que é certo apareça como o errado, e vice e versa. Uma tentativa reluzente de usar o mitológico para estender a duvida do racional.

Só assim Descartes conseguiu propor algo que estenda a duvida a razão, recorrendo ao sobrenatural.

A idéia de que um ser super poderoso esta constantemente enganando a humanidade é bastante semelhante ao mito da caverna, ou seja, a nossa incapacidade de distinguir o real do não real.

Portanto, Cogito ergo sum, ou, se penso logo existo, mesmo que o que estamos pensando seja falso ou ilusório o fato é que estou pensando, portanto se existe um ser todo poderoso me enganando ele não poderia me enganar neste momento.

Mesmo quando se põem tudo em duvida é possível ter uma certeza, para ser enganado o tempo todo, preciso pensar o tempo todo. Não teria pensamentos falsos se não tivesse pensamentos.

Assim, o cético é a pessoa que na realidade aprofunda-se nas bases, no argumento, no pilar de sustentação de uma determinada verdade e expõe suas duvidas, suas falhas, seus contras.

O ateu não é cético, é a pessoa que não acredita em um ser divino (deus ou deuses), na realidade não acredita em seres sobrenaturais. O ateu não é cético, exceto quanto a existência de um Deus, na qual questiona e argumenta quanto a sua inexistência e expõem as falhas históricas e a lógica por trás da religião.

Nem todo cético é ateu, é possível ter pessoas céticas a determinadas situações nas quais a pessoa se aprofundou no tema e se tornou cética. Nem todo ateu é cético, embora todo ateu questione ceticamente as bases que sustentam a existência de um deus, mas em outras posições ele não tem opinião formada ou simplesmente não se atrela a elas. Por exemplo, eu poderia dizer que a unica forma que Descartes encontrou para duvidar da razão, da cogitátil foi recorrendo ao divino. Isso é um costume bastante comum e diria até natural das pessoas que não conseguem encontrar argumentos existenciais no natural, recorrendo assim ao sobrenatural.

Há uma tendência muito grande dos ateus se focarem em temas que fogem da sua jurisdição. O que vemos bastante hoje é o neo-ateismo. Pessoas que acreditam que unicamente pela ciência seja capaz de desbancar a idéia da existência de um deus.

De fato, Darwin foi um grande precursor disto embora jamais tenha dito que fosse ateu, na qual creio que tenha sido agnóstico, termo cunhado pelo seu grande amigo darwinista Thomas Henry Huxley.

Thomas Henry Huxley

Thomas Henry Huxley (1825 — 1895) Biólogo britânico conhecido como “O Buldogue de Darwin”

É necessário que fique bem claro que a ciência antes de tudo busca modelos explicativos temporários que não tem a finalidade de descartar a existência de deus. Ela simplesmente trabalha com fenômenos materiais. A ciência é essencialmente materialista, trabalha com a matéria para gerar conhecimento, por isso é cega a eventos sobrenaturais. Mas a ciência não é um ramo do ateísmo nem o ateísmo um ramo da ciência. Existem cientistas, paleontólogos que acreditam em deus e conseguem de alguma forma (não se sabe em qual forma) conciliar a sua crença em Deus e a sua credibilidade a evolução sem recorrer ao criacionismo, inclusive sabendo muito bem diferenciar misticismo e ciência. Saiba mais: A Ciência é Cética?

Casualmente assim como a filosofia, é possível que a ciência seja utilizada como elemento para descartar a existência de um deus. A evidência disto, este texto que é de filosofia.

É possível ser ateu sem nem mesmo saber sobre Darwin ou filosofia. Existem ateus que não são cientistas nem filósofos.

É preciso ter em mente que ciência e ateísmo são temas distintos e cabe ao ateu se focar unicamente em demonstrar o seu ceticismo quanto a deus. A função do ateu não é ganhar adeptos e sim fazer as pessoas questionarem aquilo que elas crêem como verdade absoluta, é lutar pelo cumprimento do Art. 19 da Constituição Federal de 88.

Não cabe ao ateu discutir temas como aborto, quando surge a vida e temas de cunho cientifico. O ateu não deve ter de tomar decisões políticas como estas, ele deve apenas disseminar a duvida, explicar as bases do argumento da existência de um deus ser, cético dentro daquilo que ele é bom, em contra-argumentar.