Esta é a superfície de Vênus em luz visível registrada pela sonda Parker

Esta é a superfície de Vênus em luz visível registrada pela sonda Parker

12 de fevereiro de 2022 0 Por Jonas Estefanski
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A sonda Parker Solar Probe, da NASA, registrou suas primeiras imagens em luz visível da superfície de Vênus durante dois sobrevoos que fez ao planeta. Nelas, é possível observar uma série de características no lado noturno, como planícies e até mesmo um anel brilhante ao redor da atmosfera, conhecido como airglow.

Durante dois sobrevoos recentes em Vênus, a Parker Solar Probe apontou seu instrumento Wide-Field Imager (WISPR) para observar o lado noturno do planeta a partir da luz visível — aquela que os olhos humanos conseguem enxergar diretamente. As imagens mostram uma série de informações sobre a superfície venusiana, como regiões continentais, planícies e planaltos.

Todas as descobertas sobre Vênus ajudam os cientistas a entenderem como o planeta “gêmeo” da Terra se tornou um lugar hostil à vida e absurdamente quente. Além disso, as novas imagens podem contribuir para entender a geologia da superfície a partir dos minerais presentes nela.

Explorando Vênus

O objetivo era apenas medir a velocidade das nuvens, mas o WISPR enxergou muito mais: a superfície do planeta a partir da luz visível. Em fevereiro de 2021, a sonda sobrevoou mais uma vez Vênus para fotografar o lado noturno com mais detalhes.

A animação mostra as características do lado noturno de Vênus, bem como o airglow em sua atmosfera (Imagem: Reprodução/NASA/APL/NRL)

espessa atmosfera de Vênus bloqueia a maior parte da luz visível que reflete em sua superfície, mas as ondas visíveis mais longas — que beiram as ondas infravermelhas — conseguem ultrapassar. No lado diurno, essa luz é bloqueada pelo intenso calor.

O físico Brian Wood explicou que, mesmo no lado noturno de Vênus, as temperaturas giram em torno dos 860 °C. “Está tão quente que a superfície rochosa de Vênus está visivelmente brilhante, como um pedaço de ferro retirado de uma forja”, acrescentou Wood.

Missões anteriores já haviam sobrevoado Vênus, mas elas revelaram a superfície do planeta com instrumentos de radar e infravermelho — capazes de penetrar a densa atmosfera. Na década de 1990, a missão Magellan, da NASA, forneceu os primeiros mapas do planeta.

O planeta Vênus registrado pela sonda Mariner 10, envolto por uma espessa atmosfera (Imagem: Reprodução/NASA/JPL)

Nas novas imagens, aparecem a região continental de Vênus chamada Aphrodite Terra, além do planalto Tellus Regio e as planícies Aino Planitia. Como os pontos mais altos são ligeiramente mais frios do que os pontos baixos, eles apareceram como manchas escuras.

As imagens também ajudarão os cientistas a entenderem a composição mineral do planeta. Quando quente, cada elemento brilha em um comprimento de onda único e, com essas novas informações, será possível identificar o que há na superfície de Vênus.

A missão VERITAS mapeará a superfície de Vênus (Imagem: Reprodução/NASA/JPL-Caltech)

Ainda, os novos dados da sonda poderão oferecer novas peças sobre a evolução do planeta que, embora tenha se formado na mesma época que a Terra e Marte, é bem diferente de ambos. Os cientistas suspeitam de que a atividade vulcânica tenha criado a espessa atmosfera de Vênus.

Anteriormente, o WISPR havia registrado um anel de poeira deixada por Vênus em sua órbita, e o instrumento FIELDS da sonda realizou medições em ondas de rádio para entender como o ciclo de atividade do Sol afeta a atmosfera superior do planeta.

Em novembro de 2024, a sonda Parker fará seu sétimo e último sobrevoo em Vênus, seguindo então a seu destino (o Sol), mas outras missões estão sendo desenvolvidas para entender mais do planeta vizinho, como as DAVINCI e VERITAS — ambas da NASA — e a EnVision, da Agência Espacial Europeia (ESA), previstas para o final desta década.

Fonte: NASA