Dinossauros do tamanho de um pônei viveram na região de Rio Preto há 80 milhões de anos

Dinossauros do tamanho de um pônei viveram na região de Rio Preto há 80 milhões de anos

26 de maio de 2022 0 Por Jonas Estefanski
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Estudo mostra que titanossauros nanicos, com ossos semelhantes a de passarinhos, viveram na região; fósseis do animal foram encontrados em Ibirá

Ossadas de uma pequena manada de dinossauros de pescoços longos e de quatro patas, animais que se alimentavam de plantas, encontrada na área onde hoje está a cidade de Ibirá, mostram que esses bichos tinham ossos com “sacos aéreos”, estruturas semelhantes a dos pássaros.

“Esses sacos aéreos estão localizados na coluna vertebral”, explica o paleontólogo Tito Aureliano, da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), que estudou as ossadas encontradas em pesquisa dos colegas caçadores de dinossauros Aline Ghilardi e Marcelo Fernandes. O trabalho foi publicado recentemente e um novo texto, com os nomes científicos dos dinos de Ibirá, deve ser publicado.

Os bichos eram um tipo de titanossauro nanico, do tamanho de um pônei, e habitavam a região há 80 milhões de anos, no Período do Cretáceo, aponta estudo do paleontólogo em parceria com Fresia Ricardi-Branco. O animal, cujos fósseis foram localizados em escavações em um morro de Ibirá, teve os ossos analisados por tomógrafos que revelaram uma estrutura cheia de cavidades e vazios.

“Esses sacos aéreos aliviavam o peso e ajudavam no controle da temperatura corporal”, explica Aureliano, cientista de 33 anos, que estuda a conformação óssea destes primos dos grandes dinos, aqueles gigantes, mais famosos, que chegavam a ter de 20 a 25 metros de altura. A pesquisa quer entender como esses anões de Ibirá viveram em áreas do noroeste do Estado de São Paulo e explicar a sobrevivência deles durante períodos de mudanças extremas no clima do planeta. Ele é um especialista em tecidos fossilizados de dinossauros.

O paleontólogo destaca que a Terra, à época, tinha uma temperatura média bem superior à atual. “São Paulo e o Brasil eram desertos, áridos, quentes”, diz o pesquisador. Aureliano afirma ainda que a extinção desse tipo de animal ajuda a explicar os perigos das mudanças climáticas advindas do desmatamento que é uma ameaça atual no mundo e no País.

Ele acredita que as alterações no clima podem levar o Planeta novamente a uma situação de desertificação e contribuir para a formação de grandes áreas de transformação geográfica com o desaparecimento de espécies.

O cientista ressalta que os “sacos aéreos” presentes nos organismos dos pássaros estavam também nos dinos nanicos pescoçudos de Ibirá, extintos. A pesquisa de Aureliano dá seguimento ao trabalho dos paleontólogos Aline Ghilardi e Marcelo Fernandes, que estudam o assunto há mais de 15 anos.

“São peças de vértebras pneumatizadas”, diz o pesquisador. “Mas isso não tem nada a ver com o voo”, alerta. “Era um mecanismo de controle de temperatura na evolução das espécies”, esclarece. “Os pássaros, que têm esse tipo de ossos até hoje, são criaturas que passaram pelo funil da evolução, mas nem todas as aves voam”, pondera. Segundo ele, a região do interior paulista é rica também em fósseis de outros animais, como os primos de jacarés e crocodilos.

Durante o trabalho, os cientistas descobriram também que pelo menos um dos indivíduos pesquisados era portador de uma doença parasitária. “Era uma doença parecida com a leishmaniose. Ele tinha uma séria de caroços pelo corpo. A gente achou, pela primeira vez na ciência, parasitas dentro dos canais vasculares”, relata o pesquisador. “A preservação desse material encontrado é excelente. É uma oportunidade rara na observação destes fósseis”, afirmou. “O estudo dos dinossauros nos ensina também a importância da preservação do meio ambiente”, afirma Tito Aureliano.