Descoberta nas águas do Canadá pode abrir caminho para vida fora da Terra; entenda

Descoberta nas águas do Canadá pode abrir caminho para vida fora da Terra; entenda

20 de abril de 2022 0 Por Jonas Estefanski
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Descoberta nas águas do Canadá pode abrir caminho para vida fora da Terra; entenda

Estudo publicado em revista científica analisou rochas que teriam abrigado microrganismos muito antes do que atuais análises preveem

Há quanto tempo você acredita existir vida na Terra? Segundo alguns cientistas, ela pode ter surgido muito antes do que alguns estudos anteriores previam: há pelo menos 3,75 bilhões de anos. Uma descoberta publicada na revista Science Advances, que analisou filamentos possivelmente deixados por bactérias em pedras, não somente indica condição de existência no nosso planeta, como também possa abrir hipóteses para vida em outros no universo pela rapidez de seu surgimento.

O grupo de especialistas responsável pelos estudos analisou uma rocha do tamanho de um punho com idade estimada entre 3,75 e 4,28 bilhões de anos, a cortou em pedaços de 100 mícrons – equivalente a milésima parte de um milímetro – e notou os indícios estruturais do material criado por bactérias.

“Todas essas estruturas são muito únicas, e isso indica uma origem biológica, não química, o que reforça a possibilidade de micróbios presentes no material analisado”, destacaram os autores da pesquisa, conforme relatado pelo Correio Braziliense.

A pedra foi encontrada na região chamada Cinturão Supracrustal Nuvvuagittuq, em Quebec, Canadá. “A região é um sistema de fontes hidrotermais antigo, onde rachaduras no fundo do mar deixam passar o ferro aquecido pelo magma da Terra”, explicaram sobre a localização.

Tubos ricos em ferro em rochas de Quebec, Canadá, dão evidências de vida (Créditos: Matthew Dodd)

Descoberta reforça tese de vida fora da Terra

Os materiais analisados que indicaram o sinal de vida primitiva foram uma espécie de caule – repleto de ramos, uma série de esferas distorcidas e tubos. De acordo com Dominic Papineau, pesquisador da University College London e um dos membros do grupo de pesquisa, há semelhanças entre o caule e uma árvore comum e a velocidade com que os microrganismos surgiram após a formação da Terra – cerca de 300 milhões de anos depois – pode ser promissor para a hipótese de vidas em outros planetas.

“Em termos geológicos, isso é rápido. Cerca de um giro do Sol ao redor da galáxia”, disse ele ao jornal britânico The Guardian. “[Isso] é muito importante porque nos diz que leva muito pouco tempo para a vida surgir em uma superfície planetária.”

“Muito rapidamente depois que a Terra se formou, havia vida microbiana, que provavelmente se alimentava de ferro e enxofre nessas fontes hidrotermais. Se a vida é relativamente rápida para surgir, dadas as condições certas, isso aumenta a chance de que exista vida em outros planetas.”

Além de sua origem, os pesquisadores também descobriram evidências de como as bactérias dessas rochas obtinham energia, uma delas foi a presença de subprodutos químicos mineralizados – utilizados por microrganismos que vivem de ferro, luz, enxofre e dióxido de carbono para realizar fotossíntese.

Os fósseis com sinal de vida na Terra que detinham o título de mais antigos antes da descoberta foram achados na Austrália Ocidental e têm idade aproximada de 3,46 bilhões de anos, ou seja, 290 milhões mais ‘jovens’ que os do Canadá, agora os materiais mais velhos do planeta.