Como essa rocha terrestre foi parar na Lua?

Como essa rocha terrestre foi parar na Lua?

6 de janeiro de 2022 0 Por Jonas Estefanski
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Rocha lunar trazida à Terra em 1971 pelos astronautas da missão Apollo 14 é na verdade uma rocha terrestre

Amostras lunares trazidas da Lua para a Terra pelos astronautas da missão Apollo 14, em 1971, não param de revelar os seus segredos.

Quase cinquenta anos após a missão, uma equipe internacional de geólogos revelaram na revista Earth and Planetary Science Letters que a maior rocha lunar trazida à Terra pode ter sido “repatriada” – ela sempre pertenceu ao nosso planeta, e agora o que aconteceu foi que ela fez a viagem de volta.

Com 23 centímetros de largura e pesando 9 kg, a amostra intitulda 14321 é uma peça magnífica. Trata-se de uma brecha , ou seja, o resultado de pequenos fragmentos aglomerados de rochas angulares, ligadas entre si por uma espécie de cimento natural.

“Ao analisar um pedaço de apenas 2 gramas dessa “rocha lunar”, os cientistas perceberam que ela contém quartzo, feldspato e zircão. Todos eles são minerais muito comuns aqui na Terra, porém incomuns na Lua”, afirmou a Associação de Universidades para Pesquisa Espacial (Universities Space Research Association), que coordena pesquisas universitárias relacionadas ao espaço, nos EUA.

rocha lunar 14321 - rocha da missão apollo 14 pode ser da terra

Rocha lunar 14321 trazida da Lua pelos astronautas da missão Apollo 14 pode na verdade ter origem terrestre.Amostra analisada é mostrada pela flecha.Créditos: NASA / divulgação
Para que essa rocha se formasse na Lua, precisaria haver uma reunião de condições de temperatura e pressão improváveis, que poderiam acontecer apenas a uma profundidade fenomenal no manto lunar.

Mas como uma rocha terrestre foi parar na Lua?

Pode parecer estranho, mas isso é mais comum do que conseguimos acreditar. Impactos potentes têm o poder de arremessar parte do material de um planeta para o espaço. Como exemplo, os meteoritos lunares conhecidos não são apenas aqueles trazidos pelos astronautas das missões Apollo. Encontramos pedaços de Marte e da Lua aqui na Terra, que são o resultado de impactos catastróficos que ocorreram no passado.

Com a Terra acontece o mesmo. Asteroides (ou até cometas) que colidem com o nosso planeta podem arremessar “pedaços da Terra” ao espaço. Claro que isso não acontece todo dia, tampouco é algo comum atualmente – algo que não se pode dizer sobre o passado.

Isso também gerou rumores conspiratórios, dizendo que seria “mais uma prova” de que o homem não foi à Lua. Vale lembrar que todas as outras rochas lunares jamais apresentaram tais características, sendo algo encontrado apenas nessa amostra.

Como aconteceu

A rocha 14321 teria se formado a cerca de 20 quilômetros sob a superfície da Terra, e depois teria sido arremessada ao espaço há cerca de 4 bilhões de anos após um impacto violento de um asteroide ou de um cometa com tamanho suficiente para criar uma cratera de milhares de quilômetros.

Modulo Lunar Antares em Fra Mauro. Ao fundo, a encosta da cratera Cone

Modulo Lunar Antares em Fra Mauro. Ao fundo, a encosta da cratera Cone (missão Apollo 14).Créditos: NASA
Nessa época, o Sistema Solar ainda estava em fase de formação e os planetas tinham que lidar com impactos violentos e incessantes (Grande Bombardeio Tardio).

Essa rocha terrestre então viajou até a Lua, que na época encontrava-se três vezes mais próxima da Terra. Lá ela foi esmagada pela força do impacto, se misturando ao solo lunar.

O último evento que teria acontecido com esse “pedaço da Terra” teria sido a cerca de 26 milhões de anos atrás, quando um asteroide colidiu com a Lua formando a cratera Cone, erguendo a rocha terrestre para que futuramente os astronautas da Apollo 14 pudessem encontrá-la, em 1971.

A resposta mais simples para a composição da rocha é de que sua origem é de fato terrestre. Porém, de acordo com David A. Kring, principal autor do estudo, o resultado ainda é controverso.

Imagens: (capa-NASA) / NASA / divulgação