Colisão de estrelas de Nêutrons produziu parte do ouro que hoje temos na Terra

Colisão de estrelas de Nêutrons produziu parte do ouro que hoje temos na Terra

21 de julho de 2022 0 Por ucrhyan
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Assim como o ouro, parte de outros elementos pesados como urânio e platina também podem ter vindo dessa grande colisão de estrelas massivas

Há cerca de um século, os cientistas acreditam que os elementos mais pesados do Universo são o resultado da nucleossíntese estelar – processo pelo qual os átomos se fundem no interior das estrelas, formando elementos cada vez mais pesados.

A nucleossíntese estelar explica não apenas a criação dos elementos mais pesados além do hidrogênio / hélio, como também dos materiais que formaram os planetas, incluindo a Terra.

Recentemente, cientistas sugeriram ainda que os elementos mais pesados do Universo, como ouro e platina, seriam formados após a colisão de estrelas binárias.

Agora, um estudo publicado na revista Nature, liderado pelo professor Szabols Márka, da Universidade de Columbia, e pelo professor Imre Bartos, da Universidade da Flórida, nos revela que a colisão de duas estrelas de nêutrons, ocorrida a bilhões de anos atrás, produziu uma quantidade considerável dos elementos mais pesados que temos aqui na Terra, incluindo ouroplatina e urânio.

De acordo com os cientistas, asteroides e cometas foram formados pelo material remanescente do Sistema Solar. Quando chegam aqui na Terra como meteoritos, eles carregam traços de isótopos radioativos (variantes específicas de um elemento químico) que os cientistas conseguem rastrear quando foram formados. Isso também ajuda a entendermos quais materiais existiam no Sistema Solar há bilhões de anos.

No estudo, Szabols e Imre fizeram simulações da Via Láctea e compararam os resultados com a composição de meteoritos encontrados aqui na Terra. Eles descobriram que uma colisão entre estrela de nêutrons deve ter ocorrido em nossa vizinhança cósmica, numa distância média de 1.000 anos-luz de nosso Sistema Solar, a cerca de 4,65 bilhões de anos atrás!

Nessa época, nosso Sistema Solar ainda não existia, pois era apenas uma grande nuvem de poeira e gás. Aproximadamente 100 milhões de anos depois, a Terra e os outros planetas do Sistema Solar se formariam ao redor do Sol que acabara de se formar.

Ilustração artística da colisão entre estrelas de neutrons.
Créditos: LIGO / divulgação

De acordo com o estudo, essa colisão entre duas estrelas de nêutrons poderia ter dado origem a 0,3% dos elementos mais pesados que encontramos aqui na Terra, sendo a maioria na forma de iodo – um elemento essencial para os processos biológicos, que pode ter desempenhado um papel fundamental no surgimento da vida.

Segundo Imre, “química, física e biologia estão intrinsecamente ligados, e devemos cruzar esses dados para resolvermos o enigma cósmico”.

E como disse Szabols, “nossos resultados abordam a busca fundamental da humanidade: de onde viemos? É muito difícil descrever as grandes emoções que sentimos quando percebemos o que havíamos encontrado e o que significa para o futuro do nosso mundo”.

Isso também reafirma o que Carl Sagan disse: “Somos um caminho para o Universo se conhecer. Uma parte do nosso ser sabe de onde viemos, e nós desejamos retornar. E nós podemos, porque o cosmos também está dentro de nós… O nitrogênio em nosso DNA, o cálcio em nossos dentes, o ferro em nosso sangue, o carbono em nossas tortas de maçã foram feitos no interior das estrelas em colapso. Somos feitos de estrelas.”