Cinzas do vulcão de Tonga chegam ao Brasil e deixam céu avermelhado

Cinzas do vulcão de Tonga chegam ao Brasil e deixam céu avermelhado

30 de janeiro de 2022 0 Por Jonas Estefanski
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Moradores do sudeste brasileiro foram surpreendidos na última semana por céus em tons de laranja, rosa e vermelho – o que, segundo especialistas, é resultado da chegada ao país das cinzas do vulcão Hunga Tonga-Hunga Haʻapai, que entrou em erupção no dia 15 de janeiro, há mais de 12 mil km de distância daqui. Imagens fantásticas foram capturadas em várias regiões, como no Espírito Santo e Rio de Janeiro.

Considerada a maior dos últimos 30 anos em todo o mundo, a erupção do vulcão em Tonga devastou áreas próximas, liberou 400 mil toneladas de dióxido de enxofre na atmosfera, e suas cinzas e gases atingiram a estratosfera, o que ocorre apenas em episódios de grande intensidade. Segundo a Nasa, a energia da explosão foi mais intensa do que 500 bombas atômicas como a que foi lançada sobre Hiroshima em 1945.

Depois de alcançar a estratosfera, a pluma de gás, vapor e cinzas produzida durante a erupção migrou para Oeste. Com base em alertas de cinzas vulcânicas emitidos pelos centros australianos de alerta para a aviação de cinzas (VAAC) de Wellington e depois pelo de Darwin, a extensão horizontal da pluma cresceu de 18 mil km quadrados em 15 de janeiro para 12 milhões de km quadrados em 19 de janeiro.

As cinzas continuaram a flutuar em altitudes entre 12,8 quilômetros e 19,2 quilômetros entre os dias 19 e 22 de janeiro. Embora estivessem difusas e difíceis de se distinguir das nuvens, o sinal de dióxido de enxofre das plumas vulcânicas era mais forte. Em 22 de janeiro, a ponta da pluma atingiu a costa Leste da África. Na sequência, com menor densidade, o material vulcânico cruzou o continente africano e chegou ao Atlântico até atingir a costa brasileira na terça-feira (25).

Imagens de satélite mostram que a pluma chegou com maior densidade na costa mais ao Norte do Sudeste. 

Plumas vulcânicas já atingiram o Brasil antes

MetSul Meteorologia analisou dia por dia as imagens de satélite com sensores de dióxido de enxofre e outros gases e identificou que a área com profundidade óptica de aerossóis elevada observada no litoral do Espírito Santo na quarta-feira (26) teve deslocamento nas horas e dias anteriores de Leste para Oeste, ou seja, não era resultado de emanações na América do Sul.

No entanto, o Sudeste do Brasil recebia aerossóis no período também de uma segunda origem: as queimadas e incêndios que se deram em decorrência da poderosa onda de calor e da seca no Centro da América do Sul, no Nordeste da Argentina e no Paraguai. 

Imagem: Marcello Cavalcanti
Registro do céu no Rio de Janeiro, no dia 27 de janeiro, por volta das 5 da manhã, evidencia uma verdadeira obra de arte desenhada por um desastre da natureza. Imagem: Marcello Cavalcanti

Esta não é a primeira vez que uma pluma vulcânica alcança o Brasil, mas os episódios anteriores documentados eram de vulcões próximos, como o Lascar (1993) e o Puyehue-Cordón Caulle (2011), ambos nos Andes, com impactos mais notados no Sul brasileiro. 

Nos dois eventos, as cinzas se precipitaram sobre o Rio Grande do Sul. No episódio de 2011, a qualidade do ar chegou a ser classificada como péssima em um dia em Porto Alegre, com muitos reflexos para o transporte aéreo da capital gaúcha, onde muitos voos foram cancelados. 

Diferentemente dos eventos anteriores, o episódio de agora tem uma documentação visual possivelmente inédita de uma pluma vulcânica alcançando o Brasil a partir de uma erupção ocorrida fora da América do Sul. 

Além das nuvens de cinzas, a erupção ocorrida em 15 de janeiro causou um tsunami no mar no Pacífico e uma onda de choque planetária que gerou meteotsunamis em outros oceanos do planeta.