Cientistas escutam som misterioso em galáxia distante

Cientistas escutam som misterioso em galáxia distante

19 de julho de 2022 0 Por ucrhyan
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  • Galáxia de origem dos sons é distante da nossa;
  • Sinal de rádio parece repercutir periodicamente, como um batimento cardíaco;
  • Ainda não se sabe a origem dos sinais, nem porque são periódicos.

Cientistas captaram um sinal misterioso vindo de uma galáxia distante da nossa: ondas de rádio sendo enviadas em um padrão que se assemelha a um batimento cardíaco.

Alguns cientistas afirmam se tratar de uma rajada rápida de rádio (FRB, na sigla em inglês), outros dizem que essas explosões de energia vem das profundezas do espaço, fruto de algum fenômeno que ainda não compreendemos.

O mais estranho, no entanto, é que essa explosões não acontecem tão rapidamente quanto as FRBs comuns, durando até três segundos ao invés dos milissegundos característicos da rajadas rápidas de rádio. A periodicidade delas também é um questionamento para os astrônomos: elas se repetem a cada 0,2 segundos.

Para Daniele Michilli, pesquisador no Instituto Kavli de Astrofísica e Pesquisas Espaciais do Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT), não há muitas coisas no universo que emitem sinais periódicos assim.

“Exemplos que conhecemos em nossa própria galáxia são pulsares de rádio e magnetares, que giram e produzem uma emissão irradiada semelhante a um farol. Acreditamos que esse novo sinal pode ser como um magnetar ou pulsar ‘em esteróides'”.

A descoberta do sinal aconteceu em 2019, quando o Canadian Hydrogen Intensity Mapping Experiment (Chime) detectou o sinal. Imediatamente os dados chamaram a atenção de Michilli.

“Foi incomum. Não só era muito longo, durando cerca de três segundos, mas havia picos periódicos que eram notavelmente precisos, emitindo cada fração de segundo – bum, bum, bum – como um batimento cardíaco. Esta é a primeira vez que o próprio sinal é periódico.”

Apesar de ainda ser um mistério, os astrofísicos já pensaram em utilidades para esses sinais, conhecidos como FRB 20191221A. Espera-se que eles possam ser usados para medir a taxa na qual o Universo está se expandido ao analisar a frequência das explosões e suas alterações à medida que a fonte delas se afasta da Terra.