Cientistas buscam sinais de vida extraterrestres em 100.000 galáxias, e o resultado gera polêmica

Cientistas buscam sinais de vida extraterrestres em 100.000 galáxias, e o resultado gera polêmica

2 de junho de 2022 0 Por Jonas Estefanski
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Seria uma ‘evidência concreta’ do paradoxo de Fermi?


Na busca emocionante por vida extraterrestre, a maioria dos cientistas pensam em coisas mais sutis, como moléculas orgânicas complexas ou talvez até micróbios, mas por outro lado, outros estão pensando grande e estão tentando encontrar evidências de outras civilizações altamente avançadas em todo o Universo. Infelizmente (ou felizmente, depende do ponto de vista), tudo indica que os esforços dos cientistas para encontrar sociedades extraterrestres avançadas não estão gerando resultados satisfatórios, e após uma profunda busca em 100.000 galáxias, uma equipe de astrônomos saiu de mãos vazias, mas de “cabeça cheia”…

Mais do que nunca, o paradoxo de Fermi parece ficar em evidência. O paradoxo é a aparente contradição entre as altas estimativas de probabilidade de existência de vida extraterrestre, e a falta de evidências ou de contato com tais civilizações.

Os cientistas buscaram por sinais de contato, pulsos de rádio e emissões diferentes em 100 mil galáxias, e nenhuma delas (nenhuma sequer) deu um sinal de esperança para  nós. Os resultados estão deixando cientistas “com a pulga atrás da orelha”, mas de acordo com a NASA, nós iremos provavelmente encontrar vida extraterrestre nos próximos 10 anos. E se você pensa que os resultados negativos dessa grande busca acabaram desmotivando os pesquisadores, você está enganado(a).

Enquanto para muitos astrônomos a negativa deixou claro que a vida no Universo não é tão abundante como esperávamos, para a grande maioria, nós só não conseguimos detectar os sinais por falta de tecnologia, e é com esse pensamento que os cientistas se motivaram ainda mais para desenvolver instrumentos mais avançados, a fim de ter uma chance melhor de encontrar algo que deve estar lá fora…

galáxia no infravermelho

Galáxia Arp 220, vista através do infravermelho. Créditos: NASA / ESA / Hubble
Para realizar tal investigação, os astrônomos usaram dados recolhidos pelo Observatório WISE da NASA, que é projetado para detectar comprimentos de onda no infravermelho médio. Em 1964, o astrônomo soviético Nikolai S. Kardashev propôs um método de medição do avanço tecnológico de uma civilização, com base na quantidade de energia que essa civilização é capaz de utilizar. Ele identificou três tipos de civilizações chamadas de Tipo I, II, e III. A civilização de Tipo I pode gerenciar os recursos energéticos e materiais de todo seu planeta. A civilização de Tipo II é capaz de aproveitar os recursos energéticos e materiais de um sistema planetário e de sua estrela hospedeira. A civilização de Tipo III seria capaz de mobilizar os recursos energéticos e materiais de uma galáxia inteira. Essa teoria foi também postulada nos anos 60 pelo físico teórico Freeman Dyson, que sugeria que civilizações extraterrestres avançadas poderiam ser detectadas pelo seu calor residual, o que seria visto como radiação infravermelha.

“Se uma civilização avançada usa grandes quantidades de energia para seus computadores, voos espaciais, comunicação, ou algo que ainda não podemos imaginar, a termodinâmica fundamental nos diz que esta energia deve ser irradiada em forma de calor através de comprimentos de onda infravermelha “, explica o líder da pesquisa Jason Wright. “Esta mesma base física faz com que o computador irradie calor enquanto estiver ligado.”

Depois de estudar um banco de dados imenso, com cerca de 100 milhões de entradas, o principal autor do estudo, Roger Griffith, identificou 100.000 galáxias promissoras. Os cientistas, em seguida, tiveram o trabalho agonizante de examinar cada uma delas para procurar as melhores candidatas, e reduziram a lista para 50 galáxias, que pareciam estar emitindo níveis anormais e elevados de radiação no infravermelho médio. Infelizmente, as investigações posteriores não encontraram nenhuma evidência convincente de que qualquer uma dessas galáxias seriam habitadas por civilizações extraterrestres avançadas.

Mas claro, isso não significa que as civilizações alienígenas não estejam espalhadas pelo Universo, ou que devemos parar de procurá-las. Segundo o físico teórico Avi Loeb, as civilizações extraterrestres realmente existem, é  possível que algumas utilizem muito menos energia do que o sugerido por Dyson, o que tornaria sua detecção extremamente difícil, principalmente quando falamos em outras galáxias.

Galáxia de Andrômeda no Infravermelho

Imagem de coloração não real da emissão no infravermelho da grande Galáxia de Andrômeda,
como é vista através do Telescópio Espacial WISE. A cor alaranjada representa emissões de calor
geradas pelo nascimento de estrelas no grande espiral da galáxia.
Créditos: NASA / JPL-Caltech / WISE
“Os limites apresentados nesse estudo levam em conta apenas o mais extremo impacto que uma civilização extraterrestre poderia causar”, explica o Dr. Avi Loeb. “Para efeito de comparação, os processos criados pela nossa civilização gera apenas um milésimo de trilionésimo da energia liberada pelo Sol. Civilizações com tecnologias mais avançadas são muito mais propensas a existir, tanto em termos de viabilidade tecnológica quanto em termos de necessidades de energia”.

Detectar sinais em nossa própria Galáxia já é uma tarefa que exige um grande esforço, e quando falamos em 100 mil outras galáxias, essa missão pode se tornar muito, muito mais complicada. E apesar dos resultados serem negativos, a maior parte dos pesquisadores acredita que o único problema não é o fato dos sinais não terem sido detectados, mas sim, que a nossa tecnologia pode estar um tanto defasada se comparada ao que pode existir lá fora.

Por outro lado, apesar de não encontrar sinais de uma civilização super avançada, os cientistas detectaram cerca de 6 objetos que merecem estudos mais detalhados. Os fenômenos que estariam em nossa própria Galáxia, incluem um grupo de objetos que são completamente invisíveis quando olhados através da luz visível, mas que foram facilmente detectados através do WISE e sua visão no infravermelho. Segundo Matthew Povich, co-investigador do estudo, esses objetos não só merecem, como terão uma atenção maior.

Fonte: Penn State / Sci-News
Imagens: (capa-Galáxia de Andrômeda/NASA) NASA / ESA / Hubble / JPL-Caltech / WISE