Cacho de cobras é achado no RS e exibe fenômeno raro

Cacho de cobras é achado no RS e exibe fenômeno raro

31 de janeiro de 2022 0 Por Jonas Estefanski
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Em 2022, a foto foi parar na revista científica Herpetological Review, para expicar um fenômeno raro da biologia, chamado agregação reprodutiva.

Um “cacho” de cobras-verde penduradas sob os galhos de um pé de mexerica intrigaram um morador do Rio Grande do Sul em abril do ano passado. Em 2022, o assunto virou tema de uma importante revista sobre serpentes.

A fotografia foi feita por Telmo Santos no município de Santo Antônio da Patrulha (RS). Tudo indica que esse pode ser o primeiro registro do fenômeno entre cobras-verde (Philodryas olfersii) no Brasil, espécie amplamente distribuída na América do Sul.

Cacho de cobra-verde encontrado no Sul lança luz a fenômeno raro da biologia – Foto: Telmo Santos via Herpetological Review/ND

Na tentativa de entender qual fenômeno era aquele, a foto foi parar em um grupo no Facebook. O que Telmo não esperava era que estava colaborando com a ciência. O registro foi descrito em uma nota científica de história natural da revista Herpetological Review, um periódico que reúne informações fundamentais para a compreensão da biologia das serpentes.

Trata-se de um fenômeno chamado cientificamente de agregação reprodutiva. “Ocorre justamente no período reprodutivo e o objetivo é o sucesso da reprodução da espécie por meio da cópula”, explica a bióloga especialista em répteis, Karina Banci.

As fêmeas secretam na pele hormônios sexuais chamados feromônios. Os machos são atraídos até a fêmea, por meio do olfato, conseguindo, inclusive, seguir as trilhas de feromônios que as fêmeas vão deixando por onde passam.  Eventualmente muitos machos são atraídos ao mesmo tempo por uma fêmea só, o que faz com que eles se agreguem em volta dela, tentando copular.

Silara Batista, bióloga e autora da nota científica, diz que há relatos de agregações reprodutivas com duração de uma hora até alguns dias. A espécie norte-americana cobra-liga-comum é o caso mais clássico desse comportamento.

“Apesar da riqueza de serpentes no País há relatos de agregação reprodutiva em poucas espécies, como a sucuri, a coral-verdadeira e, agora, na cobra-verde — descrita nesse trabalho”, diz. A teoria revela que a serpente escolhe machos com maior ‘fitness’ reprodutivo, ou seja, indivíduos maiores, mais vistosos e mais saudáveis”.

A imagem ajudou  os cientistas com informações técnicas que, após publicadas, servem de referência para pesquisas e ações de conservação das serpentes.