Biólogo filma espécie de tubarão que consegue andar na terra; veja vídeo

Biólogo filma espécie de tubarão que consegue andar na terra; veja vídeo

6 de agosto de 2022 0 Por Jonas Estefanski
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O animal aguarda a maré baixa para rastejar seu tronco e barriga na parte terrosa para passar pelas poças de água que se formam

No dia 3 de maio de 2022, cientistas conseguiram registrar um animal incrível na costa de Papua Nova Guiné, um arquipélago perto da Indonésia. Pertencente à família  Hemiscylliidae, o tubarão encontrado é a única espécie que consegue andar em terra. As imagens feitas pelo biólogo e conservacionista Forrest Galante foram compartilhadas no especial do Discovery Channel chamado Ilha dos Tubarões Caminhantes (veja o vídeo abaixo).

A espécie do tubarão, conhecida como Tubarão-epaulette ou Tubarão das dragonas, é a Hemiscyllium ocellatum, que é comum na Indonésia. Podendo alcançar quase um metro de comprimento, o animal apresenta manchas castanhas e pretas por seu corpo e tem como alimento predileto caranguejos e outros invertebrados que são caçados quando o tubarão está em terra.

Isso porque, o H.ocellatum aguarda a maré baixa para rastejar seu tronco e barriga na parte terrosa para passar pelas poças de água que se formam. Podendo se transportar 30 metros ou mais em terra firme, o animal conta com algumas modificações físicas para a vida terrestre, conseguindo se mover com a barbatana e sobreviver com oxigênio escasso.

Assim, esses animais conseguem pegar suas presas desprevenidas. Nos registros feitos por Galante, é possível visualizar o  animal se deslizando por uma poça de maré que mal continha água suficiente para ele.

Para pesquisadores, o motivo para que o animal se empurre por terra, quase adotando uma vida híbrida, está ligado com a necessidade de buscar alimentos onde tubarões não conseguem sobreviver. “Todas as características são selecionadas para quando permitem que [uma espécie] sobreviva melhor e crie um ambiente onde seja seguro e possa obter comida”, comenta em nota Gavin Naylor, diretor do Programa da Flórida para Pesquisa de Tubarões no Museu de Natureza Natural da Flórida, nos Estados Unidos.

O biólogo Forrest Galante foi até Papua Nova Guiné em busca do
O biólogo Forrest Galante foi até Papua Nova Guiné em busca do “tubarão que anda” (Foto: Divulgação/Discovery)

Um estudo publicado em 2020 no periódico Marine & Freshwater Research sugere que esses animais evoluíram rapidamente nessas habilidades terrestres nos últimos nove milhões de anos.

Outra questão chama a atenção dos pesquisadores é a variedade genética do grupo. “Os tubarões dragonas estão potencialmente formando novas espécies em um ritmo notavelmente rápido”, comenta Naylor.

O que, por conta do modo único de mobilidade desses animais, faz com que populações frequentemente fiquem isoladas e seus genes sofram mutações aleatoriamente, criando novas adaptações. Pequenos empecilhos, como rios ou outras barreiras geográficas, fazem com que o grupo de tubarões se separe da população principal, iniciando um cruzamento entre si.

Atualmente, a questão principal que os cientistas esperam responder é sobre como que a espécie precariamente diversicada geneticamente pode produzir indivíduos que diferem entre si, com mudanças de cores e tamanhos.