Baratas estão aprendendo a evitar veneno

Baratas estão aprendendo a evitar veneno

15 de setembro de 2022 0 Por Jonas Estefanski
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A maior parte das pessoas odeia as baratas e, por essa razão, é comum encontrar veneno para esses insetos nas casas ao redor do mundo. Algumas pessoas até desenvolveram a capacidade de sentir “cheiro de barata”, enquanto outras seguem sem essa superhabilidade.

Porém, vale ressaltar que as baratas, de fato, liberam secreções. Esse é o caso do macho, que, na hora de acasalar, libera secreções doces para atrair a fêmea. No entanto, algumas fêmeas começaram a rejeitar isso, demonstrando a chamada “aversão à glicose”.

De acordo com cientistas da Universidade da Carolina do Norte, responsáveis por perceber essa mudança de comportamento nos insetos, trata-se de uma adaptação evolutiva para driblar o efeito das armadilhas contra baratas. Isso porque os dispositivos usam iscas de sabor doce, que os machos ingerem e então carregam o veneno, dentro do corpo, até as fêmeas.

Assim, ao recusar as secreções doces, as baratas fêmeas evitam o risco de morte por envenenamento. É uma notícia interessante no mundo das baratas, e daqueles que as odeiam.

Barata ciborgue

Reprodução

Outra notícia no mundo das baratas pode parecer um pesadelo para alguns. Isso porque, no Japão, uma equipe de pesquisadores projetou um sistema capaz de criar baratas ciborgues. Então, uma criatura parte inseto e parte máquina.

Assim, a barata poderá ser controlada de forma remota, por meio de um controle sem fio recarregável, alimentado por uma célula solar. Esse sistema tem como objetivo a inspeção de áreas perigosas e monitoramento do meio ambiente. Vale destacar que o controle remoto e bateria de longa duração são os principais desafios dessa área de pesquisa.

“O módulo de célula solar orgânica ultrafina montada no corpo atinge uma potência de 17,2 mW, que é mais de 50 vezes maior do que a potência dos atuais dispositivos de coleta de energia de última geração em insetos vivos”, explica Kenjiro Fukuda. O dispositivo tem a espessura ultrafina de 0,004 mm.

Manter a bateria carregada é essencial, uma vez que não é ideal ter uma equipe descontrolada de baratas ciborgues vagando em uma missão. É possível construir estações de recarga, mas a necessidade de retornar e abastecer pode interromper missões em momentos inoportunos.

Dessa forma, para integrar, com sucesso, esse dispositivo no corpo da barata, os pesquisadores criaram um sistema de adesão que mantivesse o módulo conectado por longo período de tempo e que permitisse, ao mesmo tempo, os movimentos naturais do inseto.

Mochila

Além disso, a equipe desenvolveu uma mochila especial para prender esse módulo de controle assim como a bateria de polímero de lítio. A mochila, por sua vez, foi impressa em 3D e se acomodou perfeitamente ao corpinho da barata.

Para tal, pesquisaram cuidadosamente os movimentos naturais das baratas, percebendo que o abdômen muda de forma e as porções do exoesqueleto se sobrepõem. Para se adaptar a isso, a equipe intercalou seções adesivas e não adesivas nas células.

“Considerando a deformação do tórax e do abdômen durante a locomoção básica, um sistema eletrônico híbrido de elementos rígidos e flexíveis no tórax e dispositivos ultramacios no abdômen parece ser um projeto eficaz para baratas ciborgues. Além disso, como a deformação abdominal não é exclusiva das baratas, nossa estratégia pode ser adaptada a outros insetos como besouros, ou talvez até insetos voadores como cigarras no futuro”, disse Fukuda.

Quando os componentes foram integrados nas baratas, com os fios que estimulam os segmentos das pernas, testaram os ciborgues. A bateria foi carregada por luz pseudossolar por 30 minutos e os animais foram guiados para virar à esquerda e à direita com o controle remoto sem fio.

A pesquisa foi publicada na revista científica NPJ Flexible Electronics, do grupo Nature, na segunda-feira (5). De acordo com os autores do artigo, os resultados da pesquisa ajudarão a tornar o uso de insetos ciborgues uma realidade prática.

Fonte: Superinteressante