Bajau: tribo que sofreu uma mutação e hoje pode nadar a 60 metros de profundidade

Bajau: tribo que sofreu uma mutação e hoje pode nadar a 60 metros de profundidade

20 de junho de 2022 0 Por Jonas Estefanski
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Cientistas ainda estudam o fenômeno que atingiu esta tribo e alterou sua forma de viver.

Os bajaus, também conhecidos como “ciganos do mar“, que vivem no Sudeste asiático, são conhecidos por sua capacidade de permanecer submersos por muito tempo. E agora, depois de muitos estudos conduzidos sobre esse povo, a ciência explica como ele fazem isso.

De acordo com apuração feita pelo portal de notícias BBC, cerca de um milhão de pessoas são identificadas como membros da tribo bajau e habitam o Sul da Filipinas, a Indonésia e a Malásia. São nômades e vivem da coleta de moluscos do fundo do mar.

Um grupo de cientistas estudou os efeitos do estilo de vida em sua biologia e descobriu que seu baço é maior do que o de outras pessoas da mesma região, isso significa que têm mais oxigênio no sangue, então podem mergulhar sem máscaras ou tanques. Os resultados da pesquisa foram publicados na revista acadêmica Cell.

Melissa Ilardo foi uma das pesquisadoras responsáveis pelas descobertas sobre esse povo tão singular. De acordo com seus estudos, é provável que esses nativos tenham vivido milhares de anos em barcos, viajando de um lugar para outro nas águas do Sudeste asiático, ocasionalmente visitando terra firme.

A ciência explica que tudo que a tribo precisa vem diretamente do mar. Essas descobertas são mencionadas nos escritos de 1521, do explorador veneziano Antonio Pigafetta, que fez parte da primeira expedição que deu a volta ao mundo.

De acordo com informações da BBC, os bajaus conseguem nadar muito tempo debaixo d’água, desde 30 segundos até vários minutos, dependendo da profundidade, que chega a 60 metros. Surpreendentemente, eles mergulham com óculos de proteção de madeira improvisados e cintos pesados.

Ilardo detalhou o papel do baço neste processo. Ela chegou à conclusão de que há uma resposta humana que é desencadeada por prender a respiração e submergir. O batimento cardíaco desacelera, há vasoconstrição periférica, ou seja, os vasos sanguíneos se contraem nas extremidades para preservar o sangue oxigenado para os órgãos vitais, e a última coisa é a contração do baço. O órgão é o reservatório de glóbulos vermelhos oxigenados, então quando se contrai, traz mais oxigênio. É como um tanque de mergulho biológico. Essa explicação ajuda a entender o nado espetacular da etnia.

Com um aparelho de ultrassom portátil, um médico teve permissão para examinar o baço de um grupo de bajaus da Indonésia a fim de ter uma ideia clara de seu funcionamento. O resultado foi que mergulhadores e não mergulhadores da comunidade tinham baços de tamanho semelhante.

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Direitos autorais: Reprodução / Arquivo Pessoal

Isso mostra que esse alargamento não é uma simples consequência do mergulho regular.

Quando os pesquisadores compararam os dados com os de um grupo vizinho chamado Saluan, tradicionalmente fazendeiros, descobriram que o baço dos bajaus era 50% maior que o da média.

Os cientistas também encontraram uma base genética aparente para a diferença de tamanho. Eles compararam os genomas dos chineses das tribos bajau, saluan e han. Pela comparação, feita pelo professor Rasmus Nielsen, da Universidade da Califórnia (EUA) e coautor do estudo, descobriram-se 25 sítios do genoma que, no caso do bajaus, diferiam significativamente de outros grupos.

Um desses sítios é um gene conhecido como PDE10A, que se descobriu estar relacionado ao tamanho do baço deste grupo asiático, mesmo considerando outros fatores simultâneos, como idade, sexo e altura.

Em camundongos, o gene PDE10A é conhecido por regular a tireoide, que controla o tamanho do baço.

Isso apoia a ideia de que os bajaus podem ter evoluído para desenvolver um baço do tamanho necessário para mergulhos longos e frequentes, embora não fique claro há quanto tempo têm esse estilo de vida ou quando exatamente ocorreu a adaptação, segundo Ilardo.

No entanto, as informações disponíveis indicam que esse povo pertence a um ramo que emergiu do saluan, há cerca de 15.000 anos. Segundo os estudiosos, é “tempo suficiente” para desenvolver essa adaptação aquática.

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Direitos autorais: Reprodução / Arquivo Pessoal

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Direitos autorais: Divulgação/ Centro de Geogenética da Universidade de Copenhagen

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Direitos autorais: Divulgação/ Centro de Geogenética da Universidade de Copenhagen

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Direitos autorais: Divulgação/ Centro de Geogenética da Universidade de Copenhagen

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Direitos autorais: Divulgação/ Centro de Geogenética da Universidade de Copenhagen