A coisa ficou feia: Terra deve ter anéis no futuro só que muito diferentes dos Anéis de Saturno

A coisa ficou feia: Terra deve ter anéis no futuro só que muito diferentes dos Anéis de Saturno

7 de novembro de 2022 0 Por Jonas Estefanski
Compartilhar:

Nosso planeta Terra pode ter anéis em breve, mas serão anéis não tão bonitos como os de outros planetas…

Quando falamos em anéis de planetas, logo vem em nossa mente algo belo e surreal, como os magníficos “Anéis de Saturno”, por exemplo. 

E embora muita gente não saiba, ele nem é o único, afinal outros objetos também têm seus anéis, como Urano, ou até mesmo o futuro sistema de anéis que Marte pode ter quando uma de suas luas for despedaçada.

Mas agora esses sistemas com anéis estranhos poderão ganhar mais um planeta, com anéis ainda mais “peculiares”, que podem em breve existir em um lugar bastante surpreendente: no nosso próprio planeta, a Terra!

E embora possa parecer uma honra nos juntarmos ao seleto grupo de planetas com anéis, vale lembrar que os nossos devem ser anéis de lixo, em um grande ajuntamento de detritos espaciais, o que não parece ser exatamente uma bela visão, e nem mesmo uma boa demonstração de bons modos dos humanos no trato de seu próprio habitat…

lixo espacial - anéis de lixo na Terra

Sim, de acordo com um novo estudo liderado pelo professor Jake Abbott, da Universidade de Utah, nos EUA, antes do primeiro satélite artificial ser colocado na órbita da Terra, em 1957, o espaço ao redor do nosso planeta era um lugar livre de objetos criados por humanos. 

No entanto, desde então, isso mudou drasticamente, à medida que a humanidade lança mais e mais foguetes com todo tipo de equipamento em nossa órbita. O problema é que quando qualquer equipamento em órbita apresenta defeito, ou chega ao fim de sua vida útil, ele fica por lá mesmo, já que ainda não temos um bom método de limpeza de lixos espaciais. E mesmo que tivéssemos, esse serviço sairia muito caro, por isso o lixo espacial vai se acumulando.

Claro que grande parte desse lixo espacial, mais cedo um mais tarde acaba sendo atraído pela gravidade da Terra e queimando em nossa atmosfera como meteoros, mas uma quantidade gigantesca de detritos continua em nossa órbita por muito tempo, e não deve sair de lá tão cedo…

E justamente por isso, o professor Abbott afirma que “a Terra está prestes a ter seus próprios anéis”, que serão feitos de lixo. Sim, no futuro nosso planeta poderá apresentar grandes anéis de lixo espacial.

Muito lixo espacial por todo o espaço!

Segundo estimavas da ESA (Agência Espacial Europeia), que monitora constantemente a população de destroços ao redor da Terra, atualmente existem 170 milhões de pedaços de lixo espacial com mais de um milímetro. Desse total, 670 mil objetos são maiores que 1,27 cm. 

Pode parecer algo pequeno, mas esses fragmentos podem provocar sérios problemas se atingirem satélites em operação, naves, telescópios espaciais ou até mesmo a Estação Espacial Internacional (ISS), e o pior é que já vimos isso acontecer.

Impacto de detrito espacial no satélite Sentinel-1A

Impacto de detrito espacial em um dos painéis solares do satélite Sentinel-1A da Agência Espacial Europeia (ESA).

Créditos: ESA / divulgação

No dia 15 de novembro de 2021, por exemplo, os astronautas da ISS precisaram se abrigar em espaçonaves por conta de uma nuvem de lixo espacial que atravessaria seu caminho e poderia causar danos a Estação Espacial Internacional, conforme mostramos aqui mesmo em uma matéria especial.

E o número de fragmentos só tende a aumentar, a medida que os detritos vão se chocando uns contra os outros, no que os cientistas chamam de “Síndrome de Kessler“, que é basicamente um efeito dominó de colisões em órbita que vão gerando cada vez mais destroços de tamanho ainda menor.

E não se engane: pequenos detritos podem ser ainda mais perigosos por serem mais difíceis de detectar, além de tornarem qualquer trabalho de limpeza ainda mais complicado.

Especialistas em lixo espacial afirmam que é necessário cobrar medidas das grandes empresas, que lançam cada vez mais satélites ao espaço. De qualquer forma, outros cientistas acreditam que essa responsabilidade acabará se tornando vital pras próprias empresas de tecnologia espacial, já que ninguém quer ver um de seus satélites de milhões de dólares sendo destruído por uma nuvem de lixo orbital.

Mas como já poderíamos imaginar, infelizmente qualquer solução para esse problema ainda está muito distante. Embora existam diversos projetos, que teorizam o uso de redes, imãs e diversas outras tecnologias, o problema do lixo espacial ainda está muito longe de ter qualquer solução, ou seja: os anéis de lixo da Terra parecem uma realidade iminente.

E diante disso alguém poderia pensar: cada planeta tem o anel que merece, ainda que a responsabilidade seja de uma espécie e não do planeta em si.